E realmente cedo para se falar de sucessão. Mas como nada acontece por acaso, o importante é saber por que os candidatos armadrugam. Não é, com certeza, por falta de patriotismo. Nem, esperamos, por ambição incontida. Outros fatores, mais objetivos, devem estar impulsionando a questão da sucessão. Independente da disposição do Presidente de só tratar do assunto no próximo ano. E independente da disposição, sobretudo dos políticos do PDS e militares do regime, de acatarem a determinação presidencial. Algo mais forte estimula a questão sucessória.
Do lado dos governadores nordestinos, por exemplo, a sucessão aparece como uma alternativa à sua incapacidade para modificar a política do Ministério Figueiredo para o Nordeste. Dificilmente a questão da sucessão seria prioritária se os governadores conseguissem substanciais mudanças na política econômica do governo. Mas esta parece ser batalha inglória. Por mais que o próprio Presidente reitere sua disposição de apoiar o Nordeste que o apolou, esta disposição entra em choque com sua outra disposição: a de não mudar nem o rumo nem os ministros da área econômica. As aspirações dois governadores do PDS para amanhã ficam adiadas então para depois de amanhã.
Esta sensação de impossibilidade de alterar os runos da política econômica e social não é apenas dos governadores nordestinos. É dos empresários diante das taxas de juros e dos trabalhadores diante da política salarial. Espraia-se por todo o País. E os políticos nada mais fazem do que captar essa impossibilidade e essa insatisfação. O modo de contornar é botar a sucessão nas ruas. Para o próximo Ministério. Do próximo Presidente.
Na verdade, nunca na história do Brasil um presidente da República teve tanto poder e, paradoxalmente, tanto apoio. Pois ninguém, civil ou militar, no governo ou das oposições, imagina a hipótese de Figueiredo colocar o chapéu na cabeça e ir embora para casa. No entanto, a solidão da política econômica e a coordenação política por parte do Planalto acabam provocando um vácuo muito grande.
Que as oposições resolveram preencher com a campanha de eleições diretas para a Presidência da República. E os políticos e militares do governo com a disputa sucessória.
(Joaquim Falcão)