É mais do que louvável, e deve ser repetida, a ida de ministros de Estado ao Legislativo. Explicar suas políticas e debater com os congressistas. O ministro Galvêas foi e, por dever de ofício, justificou o passado e vislumbrou um futuro mais ameno. Tentou convencer os congressistas do acerto, ou pelo menos da inevitabilidade da atual política econômica do governo.

O Pais, porém, há já algum tempo prefere interpretar e conhecer a política econômica oficial, menos pelos discursos e índices oficiais, ou entrevistas na televisão, do que pelos fatos concretos. Nem bem o ministro disse que a casa está ficando em ordem, quando fontes ligadas aos bancos estrangeiros nossos credores informam, por exemplo, que nos últimos dez dias o Banco do Brasil em Nova York acumulou dívidas vencidas no valor de cerca de 500 milhões de dólares. Dívidas comerciais e financeiras. E o que é mais grave, algumas referentes a pagamentos de juros vencidos.

Isto se deve à retirada da “safety net”, isto é, do apoio que 9 bancos novaiorquinos davam ao caixa do Banco do Brasil. Como também informam que há já algum tempo o Banco Central está em atraso com seus compromissos internacionais, o que lhe tem valido é a praxe internacional de só considerar um banco central inadimplente, depois de mais de três meses de atraso. Ou seja, o BC só está pagando com três meses de atraso.

É com base nestes fatos que os banqueiros por exemplo tomam suas decisões. E deveria ser com base neste tipo de informação que o debate no Congresso se deveria travar: sem ampla divulgação dos fatos mínimos para que um debate concreto possa ser travado, a ida de ministros ao Legislativo em vez de ser uma prática democrática a favor da abertura política, será apenas um ritual vazio. Dai a atitude do senador Saturnino Braga, ao dizer francamente que não acreditava nos discursos oficiais das autoridades monetárias do País; num ponto, no entanto, o ministro Ernane Galvêas foi didaticamente esclarecedor. Quando disse: “Quem tem crédito, não pede moratória.” Quer dizer, quem não tem, pede.

(Joaquim Falcão)