No dia em que o País procurar onde estão 88 bilhões de dólares que lhe foram emprestados, encontrará pelo menos uns bons 300 milhões enterrados nas areias das praias de Pernambuco. Preclsamente nas areias de Suape, Enterrados e praticamente perdidos.

Onde não existia nada, nem mesmo acesso, só natureza, os governos Eraldo Gueiros, Moura Cavalcanti e Marco Maciel investiram em construí um porto e um distrito industrial. Os navios não chegaram. As indústrias não se instalaram.

Não foi por falta de aviso. Durante-anos, economistas, como Clóvis Cavalcanti e Renato Duarte alertaram sobre a inviabilidade de Suape. A Associação de Proteção ao Melo Ambiento protestou contra a destruição ecológica. Não adiantou. O governo não lhes deu ouvidos. Tivesse dado, Pernambuco e o Brasil deviam agora, menos 300 milhões de dólares.

O projeto Suape foi uma solução irreal para um problema real. De fato, a produção industrial do Estado está em beco sem saída. De um lado, a indústria agrocanavieira a viver de subsidios federais e do declínante preço do açúcar. Do outro, a indústria têxtil com exceções, concordatária —, sem fôlego para competir com os paulistas e multinacionais. Suape modernizaria o parque industrial pernambucano. O governo colocaria lá de siderúrgica a indústria de aluminio. Fez estrada de ferro, rodovia, molhe e até agora nada. Podem até surgir mais tarde algumas indústrias. Mas o taxímetro dos juros, que não parou de bater, demonstrará que Suapé foi um mau negócio para os pernambucanos.

Não se diga que Suape foi decisão ilegal do governo. Não foi não. Foi tudo feito dentro da lei. Mesmo assim deu errado. A lei era uma delegação de poder/cheque em branco do Legislativo para o Executivo estadual. Que legalizou um projeto não discutido. Evitou a participação social nas decisões. Asegurou a impunidade do desperdício tecnocrático. Suape prova que os governos legalistas também tomam decisões socialmente ilegítimas e economicamente invitáveis.

Agora, o governador Roberto Magalhães acabou com a Secretaria de Estado especial para Suape. E provavelmente vai reduzir o ritmo das obras. Começa a se dar razão aos que se opuseram à Suape. Quem não sabe perder menos, perde mais. O sonho acabou. Custou no mínimo 300 milhões de dólares ao bolso sofrido do pernambucano.

J. F.