Com raras exceções, um pronunciamento aqui e outro ali, as oposições não estão dando muita bola para o FMI. Nem os novos governadores eleitos pelo PMDB e PDT, nem os futuros deputados e senadores da oposição, nem mesmo as entidades civis que discordam do regime. Quem protesta mesmo são apenas os empresários nacionais, os professores e analistas econômicos, e um ou outro intelectual.
E no entanto, as decisões que estão sendo tomadas em Washington, e avalizadas solitariamente pelo Palácio do Planalto, vão mexer com empresários, trabalhadores, militares, religiosos, estudantes, donas-de-casa, com todo o mundo. Vão mexer nos salários, nos investimentos, na distribuição da renda, na remessa de lucros, no destino das empresas privadas. Em tudo o contraste é evidente. Entre as decisões que vão ser implantadas nos próximos três anos e o quase silêncio das oposições e mesmo da sociedade.
Esta apatia dos políticos de oposição parece resultar da crença de que não adianta fazer nada. As decisões da política econômica há muito foram isoladas do resto do Brasil. Não adianta espermar. Nada impedirá que o FMI tome conta do destino do brasileiro.
Esta crença, ainda que com base na experiência recente, não leva em consideração dois aspectos de hoje. Primeiro, às decisões tomadas terão que ser implantadas. E sua eficácia dependerá de sua maior ou menor acoltação, não pelo governo, é óbvio, mas pelo resto da sociedade. Em presários e trabalhadores, inclusive. Não custa nada lembrar que estudos internacionais mostram que é muito baixa a eficiência das medidas do FMI. Um dos motivos, com certeza, é o caráter anti-social e a mobíliação social que tem de enfrentar.
Não leva em consideração também que uma das preocupações básicas do FMI é com a estabilidade política do Pais. Quanto mais legítimo e apolado for o governo que avalizou o FMI, mais chances existem de as decisões serem implementadas. Uma oposição silenciosa e despreparada para a discussão das decisões econômicas dificilmente vai ter poder de bargança para defender os interesses de seus eleitores. Conciliação nacional não pode ser apenas um princípio da boa ética política. Tem que resultar da mesa de negociações. E só negocia quem discorda e enfrenta.
A vitória estadualizou as oposições. O novo governador se ocupa de secretário aqui, do prefeito ali e do vereador acolá. Os grandes problemas nacionais foram momentaneamente esquecidos. Não se nega a importância das questões estaduais. Constata-se apenas que, ou as oposições são capazes de fazer as duas coisas ao mesmo tempo ou este flanco será sempre bem explorado pela Seplan/FMI.
J. F.