A notícia veiculada já há alguns meses pelo jornalista André Gustavo Stumpf vai-se confirmando. A chapa Aureliano Chaves e Marco Maciel é a mais forte para a sucessão presidencial. De fato, esta chapa reúne algumas vantagens importantes para o governo. Trata-se de chapa civil e integrada por civis de confiança dos militares, não tendo os vetos que hoje tem Paulo Maluf. Ambos — Aureliano e Maciel — têm na negociação política sua característica principal. Se Aureliano, como minheiro, por predestinação, já nasceu sabendo negociar, Maciel não fica atrás. Não custa relembrar que conseguiu, numa das piores épocas para a economia de Pernambuco, manter nos quatro anos de seu governo o Estado politicamente calmo. Quanto mais não seja, suas quilidades de negociador ressaltam quando comparadas com as de Antônio Carlos, o outro nordestino concorrendo à vice-presidência.
Alega-se, contra Aurellano, a insatisfação que sua decisão de não expulsar os padres franceses teria provocado nos melos militares mais conservadores. A cada dia que passa, porém, esta sua decisão reforça ainda mais sua candidatura. Com ela, se não conquistou um explícito apoio da Igreja Católica, pelo menos lançou as bases para um diálogo construtivo. E vai ser difícil, se a abertura caminhar, alguém governar este País sem manter boas relações com a Igreja Católica, inclusive com sua ala mais progressista.
Para que estas candidaturas avancem, ambos têm necessidade de que seus Estados de origem — Minas Gerais e Pernambuco — mantenham-se politicamente calmos. Por isto o poder de barganha de Tancredo Neves cresce enormemente e a responsabilidade de Roberto Magalhães também. Tancredo, na composição de seu secretariado e na sua postura conciliatória, já deu, pelo menos, o tom.
Em Pernambuco, a situação é mais delicada, por dois motivos pelo menos. Primeiro, as oposições, com Jarbas Vasconcelos e Miguel Arraes, serão mais combativas, exigindo mais do PDS. Segundo, a situação econômica do Estado é extremamente precária, quer no setor industrial quer no campo. É de se esperar crescente insatisfação social e mobiliização popular.
J. F.