As relações entre governo e oposição não são mais as mesmas. Existe novo divisor de águas. Antes das eleições, as relações oscilavam apenas entre repressão e subversão. As eleições libertaram o País deste simplismo. Agora, tendem a ser relações de negociação. Pelo menos, por três bons motivos. Primeiro, porque reduzir a vida política brasileira a uma questão entre a subversão e a repressão, (legal ou não) equivale de fató a silenciar a maioria da população brasileira. Equivale de fato a entregar a política brasileira aos radicais de todos os matizes. Civis ou militares. Do governo ou da oposição. Como a maioria dos brasileiros não participa desta questão, são transformados em espectadores obrigatórios de um filme que não escolheram. Segundo, porque o esquema subversão e repressão não deu certo. A maioria dos brasileiros, no governo ou na oposição, constata que, depois de todos esses anos, reduzir a política a uma questão entre a subversão e a repressão não garante a segurança nacional, nem independenta econômica e nem bem-estar social. Finalmente, porque vocês resultados das eleções são claros. Ninguém ganhou. Houve empate. O governo fez o governo. O oposição fez dez. Em compensação, o oposição teve muito mais votos do que o governo. Assim que, gocisca, é o caminho natural de adversários de passo político semelhante, e que se respeitaria. Mas para negociar e precisá que governo
Mas para negociar é precisão que governo e oposição tenham representantes creden-
clados. Lideres representativos. Interlocutores confláveis. A abertura começou quando começou a negociação. O governo tinha seus representantes: Golberi e Petrónio Portela por exemplo. A oposição os seus, Raimundo Faoro e Tales, Ramalho por exemplo. Para a nova rodada de negociações que se inicia, já despontam os principais representantes da oposição: Tancredo, Brizola, Ulisses e Montoro. Mas, e da parte do governo, quem vai negociar?
Evidentemente que ao presidente Fíguelredo cabe semprê a palavra final. Mas não lhe cabe o corpo-a-corpo na mesa de negociações. Quem vai sentar-se nela? O ministro Abl Ackel tentou. Mas puxaram-lhe o tapete no episódio de vínculação de votos. O ministro Leitão está tentando, mas até agora não tem o respaldo total do Planalto. Os generais Medeiros e Ludwig dificilmente se sentiriam à vontade nesta tarefa. Para tocar para frente a abertura, o governo precisa ter um ou alguns negociadores, com respaldo na área militar, credibilidade perante a Nação e confiabilidade junto às exposições. Enquanto esses negociadores não aparecem, indicados pelo Planalto, ou oriundos do novo Registativo com os votos do PDS, o espaço político estará vago. Disponível para incursões radicales de todos os lados.
[ASSINATURA NÃO DETECTADA]
_Recife, 16/12/1982_