Caso se confirme a vitória do PDS para o governo de Pernambuco, uma das consequências principais terá sido a consolidação de nova geração de líderes políticos. Exceção feita a Miguel Arraes, que continua líder prestigado pelas urnas, a nova geração terá menos de cinquenta anos. Do lado do PDS estarão Roberto Magalhães, Gustavo Krause e Marco Maciel. Do lado do PMDB estará Jarbas Vasconcelos. Daqui para frente serão personagens obrigatórios da cena política pernamucana. Magalhães e Krause estarão mais voltados para a política local. Maciel e Jarbas participarão da política nacional.
Se o Brasil conseguir escapar sem graves conflitos sociais da crise econômica que se aproxima, as eleições de novembro terão sido um divisor de águas. Daqui para frente, a política será diferente. A característica básica do processo político deixará de ser a imposição autoritária. Passará a ser a negociação, cada vez mais democrática. A subserviência e o temor, faces da mesma moeda, estarão substituídos pelo diálogo entre interlocutores cada vez mais representativos e confiáveis. Neste cenário é fácil prever uma volta aos quartéis — como de resto já defendem há muito tempo importantes setores militares — e um revigoramento dos candidatos civis e à sucessão presidencial. A se confirmar a vitória de Marco Maciel, seu nome estará presente no intrincado jogo sucessório. Seu desafio será consolidar uma posição de liderança nacional, ao lado da de líder regional, que terá conquistado. Para tanto, será necessário que o presidente Figueiredo não tenha definido a
chapa do PDS e defina as regras do jogo sucessório.
Tudo indica que as regras deste jogo passarão por dois caminhos. Primeiro, pela pretensão do PDS em querer deixar de ser um partido do poder e passar a ser um partido no poder. O PDS vai querer fazer valer os votos que conquistou. E participar mais poderosamente da política econômica e social da sucessão presidencial; segundo, pela reformulação partidária, que será realizada pelas oposições.
A nova reformulação partidária será diferente da anterior. Não será apenas uma reformulação visando interesses eleitorais imediatos. Todos vão tentar consolidar partidos voltados para uma atuação de médio e Jongo prazo. Com uma vantagem adicional. As oposições partirão de uma base concreta de poder: os governos estaduais conquistados. Neste cenário, Jarbas Vasconcelos terá uma presença nacional importante. Não somente porque já demonstrou que é capaz de estruturar e comandar um partido, como o fez em Pernambuco até um ano atrás, como vai sair das urnas de 15 de novembro como o deputado mais votado das oposições, um dos mais votados do País e, quem sabe, o deputado proporcionalmente mais votado do Brasil. Qualquer partido de oposição que se pretenda nacional não poderá deixar nem de ter uma sólida base eleitoral aqui em Pernambuco, nem de sentar na mesa de negociação de Jarbas.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 21/11/1982_