Uma das explicações que deram para a eventual queda do índice de desemprego no Recife foi a campanha eleitoral. A impressão que se tem é que a campanha está de fato absorvendo empregados e desempregados. Mão-de-obra qualificada e não qualificada. Desde a dona-de-casa de classe média (que, rompendo o preconceito, anda fazendo panfletagem nos muros de Boa Viagem) até gráficas superlotadas, conjuntos de som, técnicos do governo, empresários de publicidade, artistas plásticos, cabos eleitorais, todos estão empregados na campanha. Sem falar na mulher do candidato, na sogra do candidato, no primo do candidato e por aí vai, Na medida em que a campanha avança, a estratégia eleitoral dos partidos — PMDB e PDS — fica clara.
Grande esforço do PDS foi separar seus candidatos: Roberto Magalhães para governador, Gustavo Krause para vice, e Marco Maciel para senador, Foi dividir áreas e tarefas. Cada um deles tem seu “out-door” próprio. Tem seu slogan próprio. Tem missões específicas. É como se o PDS não tivesse um mas três candidatos a governador.
Magalhães, por exemplo, só fez um comício grande no Recife até hoje. O candidato aqui é Gustavo Krause. Com seu slogan “O povo no poder”, busca o voto do eleitorado de baixa renda, reduto tradicional das oposições. Magalhães e Maciel se ocupam do interior. Sendo que, como sugere o slogan “Pernambuco vai ganhar com Marco Maciel”, o PDS tenta convencer o eleitor de que ele estará votando não apenas em eventual senador, mas no mínimo em futuro ministro, quica, vice-presidente da República.
Grande esforço do PMDB foi em sentido contrário. Foi unir seus candidatos de modo a ter uma chapa majoritária ampliada e integrada composta de Marcos Freire, Fernando Coelho, Cld Sampaio, Jarbas Vasconcelos e Miguel Arraes. Esta união foi publicamente consolidada no grande comício de Casa Amarela aqui no Recife, onde, diante de mais de trinta mil pessoas, todos pediram votos para todos. Com o PDT de Armando Montelro, as oposições estão agora unidas na campanha.
O objetivo do PDS é conquistar o Grande Recife, sem recuar no Agreste e no Sertão. O do PMDB é o inverso. E conquistar o Sertão e Agreste sem recuar no Grande Recife. Da contar com a influência de Cid Sampaio no interior e com o voto camarão. O PMDB espera fazer alguns prefeitos no Sertão. Alguns candidatos a prefeito do próprio PDS comprometidos com o voto camarão de Cid usam o slogan do PMDB em suas campanhas: “Vamos governar juntos.”
Os pontos de convergência são pelo menos dois. Ambos os partidos sofreram com a Lei Falcão. Se por um lado o PMDB perdeu o direito à televisão, por outro o PDS perdeu o rádio, que lhe era extremamente vantajoso. Ambos os partidos não conseguem prever o estrago que a vinculação poderá fazer para suas pretensões. Os votos nulos podem ir contra um ou contra o outro.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 14/10/1982_