Diante da decisão do juiz Genival Matias em soltar por falta de provas os acusados do assassinato do procurador Pedro Jorge, das duas, uma, ou está errada a polícia ou o juiz. O juiz foi muito claro. Disse, claramente dito, que as investigações da Polícia Federal não convenceram. Donde, das duas, uma, Como afirmou, a título pessoal, o advogado Dorani Sampaio: “O aparelho estatal falhou; ou ele foi incompetente para investigar o crime ou agiu deliberadamente, procurando encobrir os verdadeiros culpados.” Das duas, uma, ou incompetência ou má fé.

A suspeita que o juiz levanta sobre o Poder Executivo é tanto mais grave quanto se sabe que as investigações não foram conduzidas apenas pela Polícia Federal. Por determinação da própria Presidência da República, a Procuradoria Geral da República deveria ter feito tudo para identificar os culpados. O próprio SNI, não é segredo para ninguém, se esforçou em Brasília e no Recife para cumprir a ordem da Presidência. Devem ter feito o possível, mas o juiz acha que não.

Ou então o julz errou. Por motivos que ninguém conhece, o julz resolveu usar do arbítrio que a lél lhe concede para negar a evidência. Neste caso, caberá ao Tribunal Federal de Recursos julgar a decisão do julz.

A decisão do julz, por mais que escandalize a todos, não é absurda. Tem sua lógica, Não se trata de uma decisão isolada. Basta, por exemplo, notar que até agora os outros processos do escândalo da mandíoca também não deram em nada. Ninguém até hoje, por exemplo, sabe quem no Banco do Brasil autorizou o absurdo total dos créditos distribuídos. Ninguém até hoje sabe quais os políticos do Executivo e do Legislativo que usaram tráfico de influência para a concessão dos empréstimos e para afastar Pedro Jorge do processo. Como também até hoje não deu em nada o processo contra os pseudofazendeiros que malversavam os recursos públicos. Estes processos todos são face da mesma moeda. Das duas uma, ou o Executivo e o Judiciário se dispõem a apurar tudo de uma vez só ou dificilmente o crime de Pedro Jorge será esclarecido.

A inconformidade de todos os pernam-
bucanos com a decisão do julz é também a
esperança de que as autoridades do Exec-
cutivo e do Judiciário cumpram, competen-
temente, com os seus deveres.

(Joaquim Falcão)

_10/10/1982_