O País inteiro quer saber quem ganhará as eleições de novembro. Por isto, o País inteiro está inundado de pesquisas eleitorais. O motivo é simples. A pesquisa de opinião é a versão antecipada do fato que ainda não ocorreu. E como em política, como diz o mínelro, a versão conta mais do que o fato, as pesquisas proliferam. Mas justamente porque são apenas uma versão antecipada, dificilmente uma pesquisa é igual a outra. Muitas são abertamente conflitantes. Governo e oposição, candidatos e eleitores, jornais e revistas, cada um tem sua pesquisa predileta; Mesmo assim, elas são importantes, pois orientam e influenciam o comportamento político das pessoas. Com base nelas, por exemplo, o Planalto fabricou os casulsmos legals para ajudar o PDS. Os candidatos do governo e das oposições formularam suas principais alianças. As campanhas passam do famoso “já ganhou”, para o “ainda há tempo de ganhar”, Dentro deste emaranhado todo, e da necessidade de antecipar o futuro, há que se ter cautela. E três considerações, pelo menos, podem ser feitas.
Primeiro, como a andorinha, uma pesquisa sozinha não faz verão. A previsibilidade da pesquisa será tanto maior quando se tenha pesquisa de outros anos para comparar. O problema da comparação histórica é que por aqui a legislação eleitoral muda sempre, o que torna difícil a comparação.
Segundo, qualquer pesquisa, por mais séria que seja, tem sempre uma margem variável de erro. Esta margem em geral é de cerca de dez por cento. A partir destas
duas considerações, pode-se, por exemplo, analisar as pesquisas da Gallup-“Veja” em Pernambuco. Se compararmos, com as ressalvas já conhecidas, a eleição de 1978 para o Senado com a atual para governador, algumas observações podem ser feitas. No dia 25 de setembro de 1978, o candidato do MDB, Jarbas Vasconcelos, tinha exatamente apenas 16% da preferência dos entrevistados, enquanto Nilo Coelho e Cld Sampaio da Arena, tinham 65%. No dia 15 de setembro de 1982, Roberto Magalhães, do PDS, tem 43%, e Marcos Freire, do PMDB, tem 36%. Depois, em 1978, Jarbas subiu até 42,8% e a Arena desceu até 45,5%. Ou seja, a vitória da Arena foi por menos de 5% dos votos. Uma diferença quase que impossível de captar em qualquer pesquisa. Na medida em que há consenso quanto ao fato de que em Pernambuco a disputa vai ser pau-a-pau, difícil é prever com antecipação o resultado. A não ser que surjam novos acontecimentos. E aí fazemos a nossa terceira consideração. É natural que o funcionário público queira conhecer logo seu novo chefe. Que os empresários queiram conhecer os novos governantes, que o Planalto queira saber quantos Estados sobraram para o PDS, que os pequenos partidos queiram saber se sobreviverão. Mas entre hoje e 15 de novembro, muito fato novo pode acontecer. Muita água vai rolar.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 03/10/1982_