Multos cidadãos, inclusive alguns militares, consideram muita pretensão Paulo Maluf querer ser o próximo presidente do Brasil. Multos outros vão achar que é pretensão demais indicar desde agora seu companheiro de chapa. Mas o fato é que o deputado malufista Glóia Júnior (PDS) disse que Maluf já tem seu companheiro para a yice-Presidência da República. Trata-se do ex-governiador de Pernambuco, Marco Maciel. Pretensão e água benta, como diz o citado, cada um toma o quanto quer. O lançamento do nome de Maciel pode ser pretensão demasiada ou não. Se, por um lado, considerarmos o eventual apoio do general Goli-bari a Malofi, e as ligações de Maciel com o antigo chefe da Casa Civil, até que haveria um ponto comum nesta chapa. Mas se, por outro lado, considerarmos a prudência com que Maciel conduz sua vida pública, o anúncio de Glóia Jr. não passa de um blefe.
A candidatura de Maciel está nas ruas. Para presidente ou vice-presidente da Republica, Ou melhor, está nas rádios e na televisão. Seu principal cabo eleitoral é o candidato a governador do PDS em Pernambuco, o Prof. Roberto Magalhães. No último debate realizado na Rede Bandeirantes, por exemplo, o prof. Magalhães defendeu a necessidade de termos um nordestino no Planalto. Como meio de assegurar que as justas demandas da região serão bem-defendidas e bem-atendidas, Como toda candidatura, esta proposta por Magalhães encontrou logo resistência Marcos Freire, do PMDB, lembrou que Maciel era presidente da Câmara dos Deputados quando o general Gelsel fechou o Congresso para editar o
“pacote de abril”. E que, ao contrário inclusive de seus outros colegas da Arena, como Adauto Lúcio Cardoso, que tiveram, como líderes do Legislativo, de enfrentar também o Executivo, Maciel não lutou contra o fechamento do Congresso. Aceitou-o como fato consumado.
Discordâncias à parte; o fato é que a aspiração de Mactel chegar ao Planalto é caminho natural e legítimo para quem escolheu a política, por vocação, como profissão. Para tanto, Mactel tem dado constantes demonstrações de habilidade política. Nos últimos tempos deu pelo menos três. Primeiro, conseguiu que seu governo de Penambuco fosse governo sem grandes explosões e conflitos sociais num Estado onde as tensões sociais são sempre latentes. Segundo, apesar de ser um dos políticos mais próximos do general Golberl, tem hoje trânsito livre e a admiração do prof. Leitão de Abreu. Finalmente, conseguiu unificar o PDS, que até bem pouco tempo se dividia em pelo menos três correntes conflitantes.
Se Marco Maciel sair vitorioso na sua candidatura ao Senado, será naturalmente uma das principais opções civis para a sucessão do presidente Figueiredo. E talvez seja justamente por receio desta possibilidade que os malufistas já estão querendo cooptá-lo ou queimá-lo. Marco Maciel tem tudo para ser, dentro do PDS, em 84, o anti-Maluf.
(Joaquim Falcão)
_16/09/1982_