A disputa pelo governo de Pernambuco entra agora no seu terceiro “round”. O primeiro começou logo no ano passado, quando Jarbas Vasconcelos lançou a candidatura de Marcos Freire. Este “round” favoreceu o PMDB. Não só pelo prestígio nacional de Freire mas também porque o PDS andava dividido entre os grupos de Moura Cavalcanti, Marco Maciel e Nilo Coelho.

O segundo “round” começou com ‘ô “pacote” eleitoral. Correspondeu à incorporação PP/PMDB e às consequentes divergências internas nas oposições. Sobretudo em torno da candidatura de Cid Sampalo ao Senado. Do lado do PDS, com a retração do grupo Moura Cavalcanti, a união pôde ser felta em torno da chapa Roberto Magalhães, Gustavo Krause e Marco Maciel. Este “round” favoreceu o PDS. E termina com as convenções de ambos os partidos lançando suas chapas completas. A última pesquisa “Veja”-Galup, favorecendo o PDS, reflete este período.

O terceiro “round” é agora: é a campanha propriamente dita. Conieçou com o debate entre os candidatos na TV Globo, quando as pesquisas do Ibope favorecem Marcos Freire. Deverá continuar com os próximos debates entre os candidatos ao Senado na Globo e outra vez entre os candidatos a governador, na Bandeirantes. Depois, com a decisão de Leitão de Abreu em não mexer na Lei Falcão, a campanha saí do ar. Vai para o
corpo-a-corpo, o palanque, as ruas, os clubes e as casas.

Em Brasília, diversos políticos do PDS não esconderam sua insatisfação com a decisão de Leitão. É que se o PDS não conseguir chegar ao eleitor, a inflação, o achatamento do salário, a instabilidade do emprego, o desemprego, com certeza chegam. E por aqui por cima, a seca chega também. Aliás, Cld Sampalo lembra que sua vitória para o governo do Estado, destronando um PSD há décadas no governo, foi justamente em ano de seca violenta: 1958.

Entre tentar convencer os eleitores de que o governo tudo tem feito para controlar a inflação e abrir espaços para a propaganda do PMDB, Leitão de Abreu optou por forçar o PDS a chegar ao eleitor por outras vias. Resta saber se a imprensa é o rádio são vias suficientes. Imprensa é rádio são empresas privadas e, pelo menos em Pernambuco, em princípio favoráveis ao PDS. Na medida em que a campanha eleitoral avance, porém, e o resultado continue indefinido, por maiores que sejam as preferências partidárias, o instinto de sobrevivência deverá prevalecer. Deverão abrir espaços tanto para o governo quanto para as oposições. Não somente em nome de uma ética profissional mas também para ficarem de bem com o futuro.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 29/08/1982_