Ontem, sábado, aquíno Recife, o PDS fez sua convencão. Serly surpresas. Marco Maciel concorrerá ao Senado. O que traz de imediato duas consequências para a campanha que começa a esquentar. Primeiro, Maciel naturalmente será o pólo principal da campanha. Não só porque foi governador e é nacionalmente mais conhecido do que Magalhães, mas, porque um dos bons debates entre PDS e PMDB deverá ser sobre o sucesso ou insucesso de seus quatro anos de governo. Segundo, Pernambuco passa a ser o único Estado da Federação onde toda a administração anterior, escolhida pelo voto indireto, estará sendo julgada pelo voto direto. Na verdade houve apenas uma troca de lugar. A administração e as alianças políticas fundamentais que esta chapa representa são as mesmas. Magalhães, até então, pula para governador. Krause sai da Prefeitura do Recife e passa a vice-governador. E Maciel, de governador, pretende ser senador.
Em seus discursos os três candidatos afirmam e reafirmam um compromisso democrático, a defesa do Nordeste. Defesa dos investimentos na área social. O que de resto todo o mundo afirma: do candidato a vereador ao candidato a governador. Do PD-S, do PMDB ou do PTB. O que interessa porém são os pontos de diferenças entre PDS e PMDB. Estes pontos, pelos discursos, são pelo menos três.
Primelro, o PDS se apresenta com uma chapa unitária, que conseguiu conciliar as correntes de Maciel, Nilo Coelho e Moura Cavalcanti. Não existem graves brigac internas. É bem verdade que Krause preferiria ser o candidato a governador. Mas aí vem o argumento de sempre; é moço e pode esperar. Está esperando.
Segundo, a maior dificuldade da chapa do
PDS será encontrar o “ponto do doce” entre defender o regime e sua política econômica e ao mesmo tempo captar a insatisfação popular com a inflação, a desigualdade regional, a marginalidade urbana, a corrupção e o salário baixo. Além do desemprego. Não vai ser fácil. O discurso de Magalhães tenta esta tarefa. Dá ênfase, inclusive citando números, aos investimentos do regime nos setores universitários, energético e de telecomunicações. Vão ser números, números contra números. Pois as oposições vão com certeza, como já o fizeram Cld Sampaio e Maria da Concelção Tavares na convenção do PMDB, apresentar números sobre a crise econômica brasileira e o desampaio popular.
Finalmente o PDS pretende diferenciar-se do PMDB sendo o partido exclusivo dos empresários. Roberto Magalhães é advogado dos empresários em sua banca profissional. Em seu discurso defendeu enfaticamente a inclativa privada e os empresários nacionalais. Marco Maciel, na escolha de seus suplentes, foi buscar um empresário comerciante que representa a pequena e média empresa. Justamente o setor do empresário que mais tem sofrido com a política econômica de Brasília, e portanto mais suscetível de apoiar o PMDB.
A partir de hoje a campanha começa. Para o PDS será vital manter sua votação de 1978 no interior do Estado e aumentar sua presença no Grande Recife. Para o PMDB, vital será o inverso. O PDT e o PTB estarão imprensados entre os dois. Dificilmente terão mais do que 4% dos votos do Estado.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 01/08/1982_