Discurso de candidato parece tudo a mesma coisa. Vai ser difícil encontrar hoje neste Pals quem venha para o palanque ou para a televisão, que não seja para defender a abertura, a redemocratização, a justiça social, a reforma tributária, a descentralização do poder federal, a redistribuição de renda, a defesa da empresa nacional etc. Seja político do governo ou da oposição. Podem até na prática fazerem justamente o contrário. Mas vir de público atacar estas posições de consenso nacional é suicídio político-eleitoral. O que interessa portanto ao eleitor e ao jornalista é muito mais encontrar os pontos onde os discursos dos candidatos e as plataformas dos partidos se diferenciam, do que os pontos onde se assemelham. Ontem, sábado, foi a convenção do PMDB de Pernambuco. Não houve surpresas. Marcos Freire foi indicado unanimemente para governador, compondo chapa com Fernando Coelho e Cid Sampalo. O povo presente cantava o frevo “Vassourinhas”, que com a nova letra de Chico Buarque de Holanda é hino oficial da campanha de novembro. Em seu discurso de candidato, Marcos Freire enfatizou uma série de aspectos que com certeza vão diferenciá-lo dos candidatos do PDS, do PTB e do PT. ao governo do Estado.
A primeira diferença é que, para Freire, disputar eleição não é fato novo. Freire já está na política pelo voto direto e secreto do eleitor pernambucano. São doze anos de atuação parlamentar. Assim como a defesa que faz do socialismo democrático não é de hoje, Vem de longe, Freire já era do Partido Socialista quando ele foi extinto em 1965 com os demais partidos brasileiros.
A segunda diferença diz respalto à na-
tureza da aliança política que sustenta sua candidatura. Freire fez questão de colocar a atual coligação do PMDB com os remanescentes do PP e PDT, numa linha de continuidade de alianças políticas que se incluía com a luta pela redemocratização contra a ditadura de Vargas em 45 e se consolidar com a frente do Recife que elegeu Cid e Arrães na década de cinquenta. Esta aliança democrática representa hoje fundamentalmente os interesses dos trabalhadores do campo e da cidade, da classe média e dos empresários nacionalas.
A terceira diferença diz respeito à postura diante do governo federal. Diante de Brasilia, Ao nível político Freire defende uma postura de oposição com independência, Daí seu slogan de campanha: “Vamos governar juntos, sem ódio e sem medo”. Independência a ser consolidada e ampliada com uma aliança nacional dos governadores de oposição eleitos em novembro próximo. A nível sócio-econômico Freire repudia claramente a tentativa atual de Brasília de responsabilizar todos os brasileiros pela crise que está aí. A crise é de responsabilidade do regime autoritário e de sua política econômica antipopular e artinacional.
Nesta semana que se inicia será realizada a convenção do PDS, onde os pontos de di-ferença entre os candidatos ficarão ainda mais claros.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 25/07/1982_