É fato público e notório que um dos principais interessados na vinculação total dos votos foi o PDS de Pernambuco. Com a incorporação PP/PMDB, as disputas internas no PMDB, e o início da campanha, hoje já existem pelo menos três bons motivos que, se ainda não levam o PDS pernambucano a se arrepender da vinculação, lançam pelo menos dúvidas sobre sua eficácia pró-governamental. Os dois primeiros motivos são de âmbito nacional. O terceiro, no entanto, é peculiar a Pernambuco.
A cada dia cresce o temor de haver um alto percentual de votos nulos e em branco, sobretudo por causa dos eleitores de menor grau de instrução. E o que as pesquisas indicam. Ora, em Pernambuco o forte do PDS ainda é o voto do interior, onde os eleitores de baixa renda e semi-analfabetos são maioria. Por outro lado, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral, a partir do voto do ministro Gueiros Leite de permitir o “voto camarão” (o eleitor não precisar votar na cabeça da chapa, no governador) pode amortecer o impacto da pretendida municipalização do pleito. O eleitor não será obrigado a votar no governador, limitando-se a votar no seu candidato a prefeito, por exemplo.
O motivo peculiar a Pernambuco, no entanto, refere-se à estrutura dos partidos de oposição daqui. Aspesquisas eleitorais indicam que, além do PMDB, os dois outros partidos com candidatos a governador, o PT, com Manuel da Conceição, e o PTB, com o
Padre Melo, juntos não têm mais do que 5% dos votos. Este percentual se crescer será pouco, e tenderá a favorecer o PT. Estas candidaturas muito mais cumprem a função de criar condições para que estes partidos se viabilizem a médio prazo do que ameaçam Marcos Freire, do PMDB, e Roberto Magalhães, do PDS.
Ora, um dos motivos que fizeram com que estes partidos fossem eleitoralmente fracos, foi justamente a vinculação dos votos. Ninguém ignora as graves divisões dentro do PMDB, provocadas sobretudo pela incorporação com o PP. Por mais, no entanto, que existam insatisfeitos, o PT e o PTB não se constituíram em alternativas vídeis eleitoralmente para quem quiser deixar o PMDB, pelo menos até novembro deste ano. Em Pernambuco, a vinculação total acabou por proteger o PMDB, fortalecendo-o. Transformou-se numa espécie de tapume eleitoral, que faz com que as brigas do PMDB não tenham como consequência a saída dos insatisfeitos para outros partidos. Até hoje, esta saída ainda representa um risco eleitoral muito grande. Em resumo, a vinculação em Pernambuco transformou, ao contrário de no resto do Pals, as eleições de novembro em eleições plebiscitárias: PDS versus PMDB, governo ou oposição.
[ASSINATURA NÃO DETECTADA]
_23/05/1982_