Acabou-se o primeiro capítulo. Cid Sampalo é o candidato único do PMDB ao Senado. Não foi decisão fácil. Por um lado, havia incertezas e pressões atuando no próprio Cld. Por outro, ponderáveis setores da esquerda independente do PMDB se opunham a seu nome. Cid acabou candidato por três motivos principais. Primeiro, a obstinação pessoal de Marcos Freire. O senador pernambucano em momento algum escondeu que Cld era seu companheiro de chapa preferido. Preferência fruto não. de afinidade pessoal, mas do raciocínio de que o PMDB tem que avançar no eleitorado do centro, e assegurar ao governo federal e aos empresários locals a possibilidade de um diálogo permanente. Segundo, este avanço em direção ao centro só é possível porque em Pernambuco, fora o PMDB, as oposições não têm outra opção imediata de poder. O PDT apóia Freire. O PT e o PTB, estão aí as pesquisas, não possuem mais do que, juntos, 5% dos votos. A única opção de as oposições chegarem ao poder em novembro é Marcos Freire. Freire sabe muito bom disto. Finalmente, com a reformulação do quadro partidário depois de novembro, a corrente representada por Cld Sampalo, um centro liberal, necessita levar, para criar um novo partido forte, prefeitos, vereadores, deputados e se possível, no caso, um senador eleito em novembro.

A nível interno do PMDB, o deputado Jar-
bas Vasconcelos, que também nunca escondeu que se opunha a Cid, contínua divergindo. Jarbas acredita que a vitória de Freire se daria independente de Cid Sampalo, donde a necessidade de se ter como senador um oposicionista de primeira água, que compartilhe os princípios ideológicos do PMDB, e que, sobretudo, não coloque para o PMDB o risco de estar elegendo um senador que irá para outro partido. Por estas razões deu uma entrevista deixando bem clara sua posição: diverge da indicação, mas converge em nome da unidade do partido que ele estruturou em Pernambuco.

A bola agora está com o PDS. Terá que escolher um nome para enfrentar Cld. O mais provável continua sendo o prefeito Geraldo Melo, de Jaboatão. Não afastadas as difíceis hipóteses de Maciel concorrer pessoalmente, ou de Sérgio Murilo, ex-PP, se for para o PDS.

Daqui pra frente, é a campanha. O PMDB tentará levar o Estado de roldão com os nomes carismáticos — Marcos, Cid, Jarbase Arrães. O PDS tentará barrar-lhe o caminho com o paciente e meticuloso trabalho de Maciel forjando pequenas, mas múltiplas, altanças municipais, temperadas pela vinculação total de votos.

(Joaquim Falcão)

_16/05/1982_