O presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco, Antônio Carlos Maciel, foi à Assembléis Legislativa expor e discutir com os deputados a crise da indústria local. A indústria pernambucana está sítiada. Sobretudo os setores têxtil, ceramista e de óleos vegetais. E não consegue romper o cerco. Para qualquer lado que se vire, encontra adversários poderosos: a matéria-prima cara, o mercado minguado, a taxa de juros alta e a ingrata política econômica do governo federal.
O preço insuportável da matéria-prima deve-se tanto a erros na política agrícola como, no caso do algodão, à prolongada seca nordestina. O mercado minguado, que força as indústrias a trabalharem com capacidade ociosa (alguns setores já vão com 60% de ociosidade), deve-se tanto ao PIB negativo, que ataca o Brasil de norte a sul, quanto a falta de competitividade nacional e internacional de grande parte das indústrias locais.
A alta taxa de juros é responsável por uma das poucas unanimidades nacionais. Todos são contra mas ninguém, consegue mudá-la. No mesmo dia em que os indus-triais mais uma vez pediram empréstimos subsidiados, um banco nordestino orgulhava-se de ter aberto de setembro a março 33 novas agências. Uma por somana. Parafraseando: a expansão de uns é a recessão de outros. No mesmo dia, um banco estadual inaugurava nova filial ostentando luxo asiático e transplantando o esplendor e glória da arquitetura do Palácio do itama-rati de Brasília para a sofrida Ollinda. Para-
fraseando ainda: o esplendor supérfluo de
uns é a asfixia financeira de outros.
Quanto à política econômica federal, parece que está a merecer revisão profunda. Os industrials pedem revisão do Finor-Sudene. O governador Marco Mactel sugere diretrizes firmes do governo federal para a política rural do Nordesté. E os governadores nordestinos pedem que o Banco Central autorize empréstimos por antecipação orçamentária. Fácil perceber que, sitiada por adversários tão poderosos — a seca, os banqueiros, os concorrentes nacionales e internacionais e a tecnocracia brasileíense — acorda da indústria acaba se partindo na cabeça dos mais fracos:os trabalhadores e os próprios empresários. De janeiro a hoje, a indústria têxtil já despediu 7 mil dos seus 25 mil empregados. E os industrials estão sendo forçados a fechar ou vender suas fábricas.
Esta crise está a sugerir que a solução é muito mais questão política do que econômica. O sr. Antônio Carlos Maciel foi claro: “Temos que unir as classes política e empresarial porque o Nordeste está precisando deste consenso em sua defesa.” Talvez isto explique sua presença no Legislativo estadual. Afinal, com as eleições, é provável que aumente a influência política de Legislativo para pelo menos amortecer. A atual política econômica do Executivo.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 01/04/1982_