O episódio Cid Sampaio deve estar por se encerrar. Fontes bem situadas do PMDB de Pernambuco informaram que nos próximos dias as negociações entre Marcos Freire e Cid Sampaio permitirão que o senador anuncie que o ex-governador voltou atrás em sua decisão de não se candidatar a cargo algum. Deverá voltar, e voltar por clima, a integrar a chapa da Oposição. Concorrerá ao Senado. Se assim for, o tiro terá saído pela culatra. As críticas que setores do próprio PMDB fizeram à candidatura Cid, em vez de destruí-la, acabaram por fortalecê-la. É que as reações negativas dos demais setores do PMDB às críticas a Cid foram demasiadamente fortes, por diversas razões. Primeiro, por causa da forma infeliz em que foram feitas, o que levou o partido a criar uma comissão de ética, na tentativa de manter as eventuais, e necessárias, disputas internas, dentro do nível da razoabilidade. Segundo, porque as críticas não conseguiram desfazer a impressão de que estavam fortemente influenciadas por ressentimentos pessoais. Diante da reação negativa dos demais setores do PMDB, as críticas recuaram. Não se apreciou o mérito. Apreciou-se a oportunidade política. As críticas não conseguiram provar que éram eleitoralmente oportunas, nem que a presença de Cid comprometia ideologicamente a postura oposicionista do PMDB local.

E que na medida em que se delineia a
chapa governista, com Roberto Magalhães para governador e Gustavo Krause para vice-governador, fica clara a necessidade de o PMDB vir a contar com todas as suas forças, e com igual dose de coesão interna. Fica clara também a necessidade de o senador Marcos Freire assumir pessoalmente, e de imediato, a condução das negociações entre os diversos grupos que apóiam a sua candidatura. Não somente entre os gruposให้ternos do PMDB, mas também com os diversos outros grupos sociais, como empresários, Igreja etc.

Na verdade, a capacidade de Marcos Freire em conciliar os grupos divergentes do PMDB e conduzir as negociações eleitorais foi posta em questão por este episódio Cid Sampaio, Sobretudo se levarmos em conta que o senador nunca escondeu de ninguém que gostaria de ter Cid Sampaio como companheiro de chapa. Antes mesmo da incorporação, ou do Protocolo de Brasília,

Esta necessidade de liderar o processo de conciliação interna e negociação externa ficava ainda mais nítida quando o seu termo de comparação é o sucesso da conciliação levada a bom termo por Marco Maciel no PDS.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 25/03/1982_