Em Pernambuco, o governo está unido. A oposição desunida, Com a visita de João Figueiredo, e a declaração pública de apoio por parte de Moura Cavalcanti, Roberto Magalhães, atual vice-governador, consolida-se como candidato de unão do PDS. Falta apenas, neste trabalho de costura intrapartidária que Marco Maciel está levando a bom termo, explicitar-se as negociações com o grupo de Nilo Coelho. Para as quais não se prevê nenhuma tempestade. Esta calmaria do PDS contrasta com as turbulências daz oposições.
O PT, seguindo orientação nacional, correrá em faixa própria e já tem candidatos: a governador, o líder trabalhador Manuel da Conceição, e a senador, Bruno Maranhão. Seu objetivo poderá ser obter 5% dos votos do eleitorado para ir consolidando, a médio prazo, o partido dentro do Estado. O PTB lançou também candidato: o padre Mello, que foi, antes de 64, líder rural e agora dirige uma usina de açúcar em forma de cooperativa. Já o PDT anda meio dividido. Seu líder, o ex-ministro Armando Monteiro Filho, pretende manter o apoio a Marcos Freire, acertado antes da obrigatoriedade da vinculação total. Mas alguns de seus companheiros não sabem ainda se este é o melhor caminho.
A turbulência maior, no entanto, fica por conta do PMDB/PP. Depois de terem atravessado com êxito a proposta da incorporação
poração, e praticamente montado a chapa de melhor cacife eleitoral — Marcos Freire para governador e Cld Sampaio para se-nador — tudo se desfez. Ou quase. Diante de críticas contundentes de alguns setores do PMDB, e de resistências passivas de outros, Cld Sampaio tirou seu time de campo. Fica no PMDB, mas recusa-se a disputar cargos. Com isto reabre-se o dilema que anda a consumir o PMDB: qual sua melhor estratégia eleitoral? Tentar conquistar setores da classe-se-media e do empresariado pernambucano sensíveis à sua postura oposicionista, ou investir apenas em lideranças tradicionalmente populares? Do ponto de vista pragmático melhor mesmo seria seguir os dois caminhos. Que no fundo são inconcluíveis apenas como disputa de líderes, mas não como votos diante das urnas. Está aí mesmo para provar o próprio PDS. O governo Maciel/Krause não hesitou um só momento em investir fortemente em obras de caráter social na busca do voto popular. Investiço-to que com certeza lhe trará dividendos, sobretudo porque tudo o que vierá é lucro.
O PDS já descobriu o que o PMDB parece linda ignorar. No fundo, as ideologias são muito mais inflexíveis do que o comportamento do eleitorado.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 21/03/1982_