A chapa do PDS de Pernambuco está quase pronta. Assim como o PMDB reservou a vaga de senador para o PP, assim também reservou o PDS. Diante da incorporação, a vaga de senador pelo PDS estaria guardada para uma eventual negociação com Tales Ramalho e Sérgio Murilo. Em outras palavras, razão mesmo tinha Petrônio Portela. O destino do PP é ser fiel da balança. Tanto no momento de sua criação, como agora diante de sua eventual extinção. Este número do PDS com o PP faz com que mais que nunca a posição do PP de Pernambuco diante da incorporação dependa fortemente dos destinos pessoais de seus principais líderes. Não que o PP esteja ao sabor de interesses pessoais. Mas por duas razões que independentem de seus líderes. Primeiro, porque desapareceu o projeto da abertura que confiaria ao PP uma importante missão histórica. Segundo, porque a vinculação total dos votos não lhes deixa outra alternativa.

Para Cid Sampalo e Sérgio Murillo, por exemplo, a incorporação é benética. Cid provavelmente sairá candidato ao Senado pelo PMDB. Sérgio Murillo por sua vez teria um leçue de opções razoáveis: candidato a deputado federal pelo PMDB, ou a deputado federal ou senador pelo PDS. No caso de não incorporação, a situação seria para ambos muito ingrenta. Cid compelido a se candidatar a governador com pouquíssimas chances de vitória. E Sérgio Murillo compelido a disputar uma vaga de deputado federal com Tales Ramalho e outros nomes fortes. E
provavelmente os votos do PP não dariam para todos. O único a quem a incorporação é indiferente é Tales. Sua opção é a mesma em qualquer momento; candidato a deputado federal pelo PP, pelo PMDB ou mesmo, quem sabe, pelo PDS.

Guardada a vaga de senador, o resto da chapa do PDS vai tomando seus contornos. O principal obstáculo a vencer era conciliar as três correntes internas do partido: a de Marco Maclel, a de Moura Cavalcanti e a de Nilo Coelho. O destino ajudou nesta conciliação. Moura Cavalcanti dificilmente poderá ser candidato a governador por questões de saúde. Foi compelido à negociação. Se Nilo Coelho não insistir no nome de seu irmão, o deputado Osvaldo Coelho, e se contentar em indicar o vice, a composição poderá ser feita em torno do nome de Roberto Magalhães, atual vice de Maclel.

E este é o fato político fundamental. Ao se aproximarem as eleições, os partidos são compelidos à união interna. Neste fim de semana, Marcos Freire, Miguel Arras e Jarbas Vasconcellos iniciam uma caravana de dez dias pelo interior do Estado, em busca do voto rural. A caravana do PDS está quase pronta. A campanha eleitoral vai tomar conta de Pernambuco.

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_Recife, 31/01/1982_