Os atuais prefeitos das capitais dos Estados não deram certo. Pelo menos para os governadores que os nomearam. Nenhum está conseguindo apoio oficial para concorrer a eleições majoritárias.
Vejam o que aconteceu com Jaime Lerner. Tido e havido como um dos melhores prefeitos do Pais, pretendia ser o candidato do PDS ao governo do Paraná. Foi belamente escanteado por Nei Braga e Saul Ralz. Este caso não é o único. Na Bahia, Antônio Carlos já se descartou do candidatável Mário Kértecz. Em Pernambuco, as pretensões de Gustavo Krause vão ter que desembarcar na Câmara Federal. Março Maciel, irá preferir Roberto Magalhães. Lúcio Alcântara, em Fortaleza, e Collor de Melo, em Maceló, não têm chances para governar seus Estados. O único que poderá sair candidato é Agriplino Mala; de Natal. Se vencer as oligárquicas resistências de Dinarte Mariz.
Toda a conquista do voto popular urbano, que o PDS tentou, está sendo desativada. Em 1978, o governo investiu em jovens prefeitos. Em mangas de camisa, discurso populista e administração neodeservovilmentista. Em 1982, paradoxalmente, escolhe candidatos de paletó e escuta, discurso técnico.
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blnete.
Esta estratégia eleitoral do PDS revela pelo menos dois aspectos do regime. Primeiro revela que, dentro do PDS, a renovação dos líderes não se faz através da rua. Se faz pelos corredores. E sobretudo se faz sob o comando do governador. E a preferência é por candidatos contáveis que não venham, no futuro, a disputar o comando político do Estado. Revela também que o PDS prefere investir fortemente no voto rural, em.vez de no voto urbano. Um dos critérios na escolha dos candidatos parece ser o grau de conflabilidade diante das bases conservadoras rurais do partido oficial. Para quem o tiscurso populista dos jovens prefetos é quase uma ameaça. Disto tudo, importa é que o PDS, certo ou errado, escolha seus candidatos e parta em busca de eleitores, e não em busca de casulismo prorrogacionistas.
[ASSINATURA NÃO DETECTADA]
_Recife, 28/01/1982_