Na chapa das oposições está vago em Pernambuco o lugar de candidato a senador. Antes da proibição das coligações, o cargo era de Armando Monteiro, do PDT. Com a proibição e a eventual incorporação do PP, tudo muda. Pelo protocolo de Brasília, com o qual Marcos Freire vlablizará a incorporação, caberia ao PP indicar um nome consensual. A incorporação anda bem. Na prática, o PP por aqui não está mais funcionando como um partido isolado de máquine azeitada. Está preparado para a incorporação. O PMDB prepara-se também. Ainda esta semana indicou para llorar, na Assembléia estadual, o deputado Sérglo Longman, de amplo trânsito com os colegas do PP. As especulações dirigem-se então para a definição do nome que o PP indicaria para o Senado. Consensual mesmo seria Thales Ramalho, criador do PP em Pernambuco, oposicionista de primeira água. Mas o próprio Thales até agora nem se convenceu das vantagens da incorporação nem se dispõe a concorrer ao Senado. Deverá concorrer a deputado federal. O próximo nome do PP é Cld Sampalo, que no entanto teria algumas dificuldades a vencer.
A primeira delas é o perfil governista e revolucionário de Cld Sampalo que, se por um lado canaliza eventual, apoio de setores do empresariado local para Marcos Freire, por outro tem aceitação difícil pelas bases partidárias e, provavelmente, pelo próprio eleitor oposicionista, exortado a votar hoje no concorrente de ontem. A segunda é que os deputados estaduais que compõem a base eleitoral de Cld não o acompanharam em
sua ida ao PP. Antes da vinculação, a divisão do grupo de Cid nos dois partidos — PP e PDS — não trazia maiores problemas. Agora traz. Os deputados do PDS não poderão votar em Cid para senador. Uma perda eleitoral de quase cem mil votos. Diminui o cacife de Cid na mesa da incorporação, que só aumentará se o governo vier mesmo a rever o sistema de vinculação dos votos. Finalmente, a terceira dificuldade que Cid terá de vencer é que suas alternativas eleitorais são ingratas. Em troca de que o PMDB lhe ofereceria a senatoria. Se não houver incorporação, Cid será quase obrigado a ser o candidato do PP a governador, com reduzíssimas chances de se eleger. Praticamente um sacrifício político. Se houver, por que não se escolher um nome de peso eleitoral e consenso intrapartidário, Thales, Salviano Machado, ou mesmo um nome do PMDB? Cid concorreria a deputado federal.
De qualquer modo, a decisão não é para agora. Agora Cid não postula cargo algum. Decida-se a incorporação, é com a boa experiência que tem val aplanando as resistências. De rosto, nem as regras eleitorais estão definidas, nem o PDS abriu seu jogo. A chapa definitiva das oposições levará muito em consideração, a estratégia eleitoral do PDS-PP, até agora guardada a sete chaves.
[ASSINATURA NÃO DETECTADA]
_Recife, 21/01/1982_