Os candidatos do PDS e das oposições têm uma certeza. As regras eleitorais já estão definidas. E basicamente uma só: as regras mudarão até o último minuto. Pode parecer paradoxial mas não é. A regra é esta mesmo. Quem quiser ser candidato tem que se candidatar na instabilidade. Tem que assumir a instabilidade como regra máxima e tocar pra frente. Tentar definir a legislação eleitoral é tarefa inglória. Por dois motivos principais. Primeiro, porque pelo “pacote” de abril o governo pode mudar as leis como quem muda de roupa. Segundo, porque existem fatores políticos concretos, dentro e fora do regime, que fazem com que o governo troque muito de roupa e de leis. Vejamos pelo menos três destes fatores.

Primetro, não é apenas o PMDB que é uma frente política. O PDS também é. Com uma diferença. A frente do PMDB resulta das idologias diversas. Já a frente do PDS resulta dos quinhões diversos que cada grupo detém dentro do governo. O fato limpido é que o PDS é integrado por correntes diversas e concorrentes. Dentro do PDS existem fortes disputas para quase todos os cargos em quase todos os Estados. O que é democraticamente salutar. O que não é, é a permanente tentativa da corrente vencedora em transformar em casulismos legales seus interesses particulares. Vejam o que está acontecendo. Os governadores já articulam uma lei que lhes permita se candidatar à receição. Os deputados já apresentaram um projeto de lei onde são autoprogramados. E os senadores, que foram mais rápidos, do govern no e das oposições, legislaram em causa própria transformando-so todos em candidatos vitílicos.

O segundo fator que impulsiona o governo a trocar sempre as leis é que as disputas internas do PDS só se acalmam quando todos têm de ajudar na tarefa comum de transformar um partido com trinta por cento dos
votos nacionais em ganhador das eleições. A cada pesquisa eleitoral, relatório do SNI ou pressão dos governadores, o governo estará lentado a mudar pesquisas, mudando leis.

O terceiro fato se vincula aos dois primeiros. A sucessão presidencial, com candidatos, já nos corredores do Planalto, dependerá, e muito, da corrente vencedora dentro do PDS e do desempenho global do partido nas eleições. Todo candidato presidencial vai lutar para que sejam estabelecidas leis que favoreçam seu grupo e seu modo de ver a vitória do PDS. A ironia deste processo é que nunca há vencedor e vencido. A lei de hoje não será a de amanhã. Ao candidato vencedor hoje não se assegura legalmente uma vitória amanhã. O PDS e a sucessão presidencial estão condenados, como as oposições e os eleitores, à Insegurança permanente. E uma política dilacerante.

Mas se as coisas são assim, não adianta in, sistir no impossível, querer regras definitivas. Adianta é fazer campanha. É o que Jarbas Vasconcelos defende para o PMDB-PE; retomar a campanha e reativar a máquina do partido. E o que faz o governo do Estado. Mesmo sem candidato certo a governador, o Palácio das Princesas, a Secretaría de Educação, a prefeitura do Recife fazem campanha de manhã e de noite. No gabinete, no Forte, na escola e na escadaria.

A esta altura do campeonato, com esta facilidade de trocar leis como se troca de roupa, e com uma sucessão presidencial no escuro, querer saber se vai haver vinculação ou não, incorporação ou não, distritão ou não, é querer demais. Para o candidato do PDS ou das oposições, já que o casulismo é inevitável e iminente, relaxe o aprovoite pra fazer campanha.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 17/01/1982_