Três fatos novos modificaram o quadro político de Pernambuco. E vão influenciar a escolha do candidato do PDS contra Marcos Freire, do PMDB, Primeiro, a municipalização compulsória das eleições, pelo “pacote”, ameaça a provável vitória de Freire. O PMDB conta com mais diretórios municipais do que o PDS. Em compensação detém apenas 7 prefeituras, contra quase 160 em mãos do governo. Acresce que a campanha oposicionista até agora entafizara seus carros-chefes: Freire, Arraes e Jarbas Vasconcelos. Agora tudo mudou. E se não mudar mais ainda vai exigir das oposições profunda revisão da estratégia eleitoral.
Segundo, Moura Cavalcanti está agora hospitalizado em Houston, Texas. Submetese a operação de coração para se livrar de um aneurisma, Moura, que não participa da facção de Marco Maciel, seria voto importante na convenção. Poderia inclusive ser candidato ao governo. Agora, abriu-se espaço novo. A lista de candidatáveis já vai longa, acalentada pelo “pacote”. Finalmente, Maciel, integrante do grupo Golberi/Portela, presidenciável nas listas de então, incorporou-se com rapidez à nova gestão do Planalto. Sua participação no “pacote” evidencia sua reascensão na política palaciana. Fatos somados, o PDS tem agora novos candidatáveis. Antes do “pacote”, o candidato salria do partido para o crivo do Planalto. Agora, o roteiro inverteu-se, Voltase a 1978. O nome salrá do Planalto para aceitação pela convenção. Neste roteiro, o impediimento de Moura e o fortalecimento dos governadores fazê-lhe de Maciel a ligura-
chave na escolha. Quatro são hoje os nomes: o senador Nilo Coelho, o prefeito Gustavo Krause, o vice-governador Roberto Magalhães e o diretor da Caixa Econômica Federal, Marcos Vilaça.
Bons de urna em eleições livres seriam Nilo e Krause. Nilo com a vantagem de não perder nada. Se não for eleito, volta para completar o mandato no Senado. Mas até agora hesita em se candidatar. Já Krause não conta com o apolo dos deputados estaduais, e teria que ser o candidato de Moura, o que parece difícil. Restam Magalhães e Vilaça. Contra a candidatura de Magalhães argumenta-se que, como professor de Diretto, homem ligado ao sistema e de confiança de Maciel, melhor seria presidir o pleito, já que Maciel vai se desincompatibilizar. Sobra Vilaça, estrela em ascensão. Nome de total confiança do sistema, com amplo trânsito brasilense, poderia unir as três principais facções do PDS: a de Maciel, a de Moura e a de Nilo. A ausência de respaldo popular à sua candidatura, já que é homem de gabinetes, poderia ser compensada com a candidatura de Maciel para o Senado, que assim seria o verdadeiro cabeça de chapa. Mas como as regras eleitorais ainda não estão definitivamente postas, o quadro político de hoje pode não ser o de amanhã. Sobretudo se os governadores, que estão em alta, conseguirem a permissão de se candidatarem para novo período.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 10/12/1981_