O ‘brizolismo em Pernambuco está mostrantemente, em crise. O importante grupo comandado pelo ex-ministro Osvaldo Ulmã Filho e pelo deputado Sérgio Murilo, acitando que o PDT não se forma nacionalmente, arrumou as malas. Neste fim de isemana ainda estarão sem pouso certo. PP ou PMDB? Esta crise tem consequências naçionais. Dificulta os esforços de Brizola em dar vida ao PDT, de acordo com as exigências legais. Aqui, o PDT era o princípio, partido das oposições depois do PMDB. Mais forte do que o PT e o PT. A crise obscurece a presença de Brizola, em Pernambuco e deixa campo aberto a Miguel Arraes como representante da geração antes de 64. Mas as repercussões locais são também importantes. Está em jogo por exemplo a composição da chapa das oposições às eleições de

O grupo dissidente condiciona sua entrada
no PMDB à Indicação de Osvaldo Lima Filho
a: vice-governador. O que dificilmente
vocorrera. Por dois motivos principais.

: Primeiro porque o PMDB hesitará em caracterizar um grupo dentro do partido e,

– sobretudo, em privegaria este grupo em detrimento das correntes que estão lá desde o começo. Segundo, porque a vice-governance é item importante para as conversações com os demais partidos. E coligações se fazem com partidos e não com grupos.

Já o deputado Sérgio Murilo, desde 1978, pretende ser senador. Naquela época o PM-DB, optou por Jarbas Vasconcelos, Normalmente, o companheiro de Marcos Freire ao Senado viria ao PDT. Mas aí, dificilmente
viria Sérgio Murilo. Viria Armando Monteiro Filho, muito mais vinculado a Brizola e à principal liderança do PDT. Paradoxalmente, a saída deste grupo do PDT enfraquece o partido, mas reforça Armando Monteiro Filho ao Senado. Não somente porque colgações se fazem entre partidos, mas pelo próximo lançamento, dia 30 deste mês, em grande estilo, da candidatura Moura Cavalcanti a governador, pelo PDS. E que Moura não nega que para ele a melhor batalha é dividir o Estado entre os que estão a favor da Revolução de 64 e os que são contra. Os da direita e os da esquerda. Cristãos e pagãos.

Se assim for, o nome de Armando Monteiro cresce em cotação. Armando é banqueiro e usinelro de sucesso. Político e empresário respeitadíssimo por governo o oposição. E sobretudo, desde 1964, com nítida postura oposicionista. E o exemplo “ao vivo” de que a tese de Moura pode ser muito mais uma estratégia eleitoral do que uma interpretação real da sociedade pernam-bucana de hoje.

Provavelmente o grupo de Osvaldo Lima Filho irá bater às portas do PP. Jogo político é jogo de barganhas. E o PP pernambucano será muito mais flexível do que o mineiro. Abrigará sem muito conflito udenistas, possedistas e petebistas. Mas ainda está definido.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 04/10/1981_