Cortejado pelo PDS, pretendido por setores do PMDB, Cid Sampaio finalmente definiu-se. Arrumou as malas e entrou para o PP. Logo na entrada, propôs nova frente de oposições: Nova Frente do Recife. A primeira ocorreu na década de 50. Uniu comunistas, socialistas, petebistas e udenistas. Colocou Prestes no palanque de Cid. Elegeu Cid, governador, e Arraes, prefeito. Todos juntos derrotaram o PSD de Etelvino Lins. Enquanto durou, a frente foi de sucesso eterno. Depois, desfez-se. As contradições eram demais. Os setores populares puxavam pra cá, os usineiros pra lá. Consta que se desfez no dia em que Cid, em vez de ir a uma manifestação a favor da posse de Goulart, pegou o avião e foi para o Rio articular o parlamentarismo.

A entrada de Cld no PP mexe com todo o mundo político pernambucano. Viabiliza o PP de Tales Ramalho, combalido desde a saída do deputado Carlos Wilson para o PM-DB. Ajuda a consolidar o PP nacional. Mais ainda, Aumenta o cacife do PP local em relação ao PDS e ao PMDB. Não custa lembrar que Cld foi da Arena e indispensável para bater Jarbas Vasconcelos. Continua assim de confiança do regime e cobiçadíssimo pelo PDS.

O PDS de Marco Maciel, se antes já precisava da sublegenda para enfrentar Marcos Freire, agora precisa também da coligação com o PP. Coligação que vai depender sobretudo da postura nacional do PP. Que, a cada dia, é o partido com mais probabilidades de fazer valer suas relivindicações junto ao atual regime. Mais mesmo que o
próprio PDS: prata da casa que não faz milagres.

Para as oposições, as declarações de Cid desfazem alguns fantasmas. Propor Nova Frente do Recife implica coligar-se com Arraes, como em 50. Mas trazem também algumas interrogações. Na Frente do Recife, Cid foi estrela maior: candidato e depois governador do Estado. Será que Cid busca o mesmo lugar? Estará pensando em candidatar-se a governador outra vez, enfrentando Marcos Freire, já nas ruas, ou está apenas reivindicando a Prefeitura do Recife e o candidato ao Senado para o PP?

A importância que a decisão de Cld assimuliu para governo e oposição deixa a nu dois aspectos da vida política brasileira de hoje. Por um lado, evidencia a importância de políticos de formação eleitoral para a consolidação da abertura. Por outro, constata que nestes anos, o regime não permitiu que o Pals forjasse suficientes líderes bons de votos, ouvintes do povo e da classe média. Nesse sentido, pergunta-se até que ponto o PP estará abrindo mão de forjar novos líderes. A postura de Cld Sampaio dentro do PP e dentro da frente de oposições ajudará a resolver essa indagação. Que, aliás, não é só do PP. A necessidade de forjar líderes democráticos, bons de votos, abertos para o futuro, é preocupação de todos os partidos. Ou será que política brasileira é como samba; recordar é viver?…

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_Recife, 18/09/1981_