V cada final de ano, a Fundação Joaquim Nabuo realiza um seminário de avaliação do deampenho das economias nacional e regional. Este ano, coube a Celso Furtado fazer uma das ca-ferências. Falando em nome pessoal, e não em nome da Comissão Econômica do governo Tancredo Neves, Celso Furtado tratou do problema da dívida externa. Na avahação do processo atual de renegociação desta unida, ou o claro que antes de definir metas e objetivos, o Brasil precisa é retomar a dignidade de o sentimento da Patria. como o parámetro orientador da renegociação. Não está ainda longe, o dia em que a Seplan co-tratou banqueiros norte-americanos para c-finirem a estratégia com a qual o Brasil o co-tratou com os próprios banqueiros norte-a-c-fianas, europeus e japoneses. Contrato a ju- do ouro, subtraído da apreciação do regresso Nacional, até hoje sem a publicidade da assistia para a informação democrática, não a-mas dos cidadãos, mas das demais autoridades, e mais de militares, do próprio governo.

Parece óbvio, mas é óbvio esquecido e abandonado, que é difeil defender um interesse tão vital para o Brasil como negociar sua divida externa sem que os negociadores estejam movidos, antes de tudo, pelo compromisso com a Pátria. E não apenas movidos por
obrigacoes contratuais O sentimento da Patria não é firismo não E sentimento potencialhazador das competências Quando inexiste, como foi o caso do início desta decada de 80, o Brasil perdeu Renegociou mal Perdemos todos

Helio Beltrao, com a qualidade que tem de reencontrar o obvio esquecido, diz: “Não é errado um país que deseja pagar, dizer como pode pagar.” Mais ainda: “(1) País tem todo o direito e a obrigação de declarar que ele não pode se submeter ou pagar uma dívida deste tamanho a custa do empobrecimento crescente de seu povo.” A preocupação com a franqueza que fortalece posições, é com a crise social que orienta o negociador, não as tem quem não tem o sentimento da Pátria. Em suma, daqui para frente, quem negocia em nome do Brasil são os brasileiros.

A partir daí, o País estará mais apto a defender, como propõe Furlado, uma redefinição da sistemática da cobrança de juros. Juros, aliás, matematicamente impossíveis de serem pagos, a permanecer nos níveis atuais, nos critérios atuais, e na periodicidade atual.

(Joaquim Falcão)

_27/12/1984_