Na Paraíba, un jornalista, o diretor do Correio da Paraíba”, foi assassinado a tiros de metralhadora e de revólver. Em seu corpo, cerca de cem balas foram encontradas. Foi trabalho profissional, e o jornalista pego em tecaia. O motivo mais provável para este bárbaro crime: o livre exercício de sua atividade de jornalista. Mais especificamente, a campanha que o “Correio da Paraíba”, vinha fazendo, denunciando a existência de corrupção no governo local. Como, por exemplo, as denúncias de compras, malbaratando recursos públicos, de caçambas de lixo para a Prefeitura local.

Dias antes do assassinato, o jornalista foi advertido e ameaçado por telefone. Prontamente foi à Polícia Federal e à polícia estadual apresentar queixa e pedir proteção. Não adiantou. O crime foi cometido com metralhadoras de uso privativo das Forças Armadas. As balas eram nacionais, quer dizer, não eram ilegalmente importadas. As investigações estão sendo conduzidas pela própria polícia paraibana. O ministro Abí-Ackel ainda não permitiu o envolvimento da Polícia Federal, o que seria o caso, tendo em vista o uso de armas privativas dos militares.

A responsabilidade do governo Wilson Braga em apurar e esclarecer a opinião pública é dupla. Por um lado, cumpre apurar as denúncias de corrupção formuladas pelo “Correio da Paraíba”. Se houve ou não dolo da administração pública. Por outro, cumpre identificar e prender os assassinos. Esplarecer se houve ou não vinculação entre estes e os eventuais beneficiários da corrupção denunciada. Atos como este extrapolam os limites do estadual ou do regional. Não se trata de um assassinato circunscrito à Paraíba. A opinião pública nacional também está chocada. Aguarda e confia que as autoridades do governo da Paraíba serão isentas e competentes na apuração dos fatos. Pois é necessário que o País tenha a tranquilidade de que a imprensa poderá exercer suas atividades sem a intimidação pela violência. E sobretudo tenha a certeza de que os recursos públicos, numa região onde a fome, a mortalidade infantil, a seca e a miséria imperam, são aplicados honestamente.

(Joaquim Falcão)

_20/12/1984_