São pelo menos três os temas mais importantes do discurso de ontem do presidente Figueiredo. São temas inter-relacionados e juntos oferecem uma visão suficiente da posição do Presidente diante da sucessão. O primeiro é afirmação da isenção pessoal. Como presidente, Figueiredo não interferiu no processo da escolha do candidato do PDS. Foi escolha livre. Como presidente não fará pressão em cima do atual Colégio Eleitoral. Uma breve e única menção ao nome de Paulo Maluf significa apenas que, como homem de partido, apóia o candidato de seu partido. Fez questão de mencionar que não foi ele-quem escolheu Paulo Maluf. Foi seu partido. Quer dizer: Maluf não é seu candidato pessoal. É candidato do PDS: este o limite mínimo, e máximo, de seu apoio. O que por extensão pode significar também que Maluf não é o candidato das Forças Armadas. É apenas do PDS.

O segundo tema é a reafirmação de seu compromisso com a redemocratização do País. Entendido nesse momento, claramente, como
compromisso de garantir e dar posse ao eleito. Quem ganha, leva. A sucessão não será vítima de interrupções autoritárias. Estimuladas quer pela esquerda quer pela direita.

Finalmente, o terceiro tema foi a condenação dos radicalismos, especificamente, a condenação dos discursos mais contundentes do comício de Goiânia. Não se trata de condenar o povo. Nem se trata de condenar comícios. Muito menos é pressão em cima de qualquer candidatura. Se fosse, seria negar o que o próprio Presidente quer evitar: pressões indevidas em cima das candidaturas. Ao ser contra o radicalismo de direita e de esquerda, o Presidente tem o apoio da Nação. Contra radicalismos existe o Código Penal. Utilizado agora aliás pelo próprio deputado Paulo Maluf contra Antônio Carlos Magalhães.

(Joaquim Falcão)

_20/09/1984_