Não são poucos os empresários paulistas e cariocas, nem são poucas as autoridades brasilianas, da Seplan inclusive, que acham que toda esta história de defesa do Nordeste nada mais é do que a defesa da incompetência. É o lamento frustrado dos que não foram competitivos. E perderam. E que agora jogam a culpa no governo federal. Querendo viver de recursos oficiais, produzidos pelo Sul laborioso. Esta semana, porém, o governo federal não deu razão aos que pensam assim. Ao contrário. Deu razão aos que se queixam amargamente da discriminação de Brasília, na distribuição dos recursos oficiais.

O presidente Figueiredo autorizou uma ajuda de cerca de 170 bilhões de cruzeiros a uma única empresa têxtil do Rio de Janeiro: a Nova América. Para se modernizar e dar emprego de volta a cerca de 3 mil e 500 funcionários. O BNDES vai inclusive aumentar seu capital com recursos do Tesouro para poder ajudar a esta empresa em dificuldade. Até aí tudo bem, O Importante porém é notar que com a metade destes recursos, o governo federal poderia ajudar não uma, mas doze Indústria têxtéis em Pernambuco. Dando emr ego não para 3 mil e

500 tecelões, mas para cerca de 15 mil. Já vai cerca de um ano que estudo neste sentido apresentado pelo governo de Pernambuco e pela Federação das Indústrias de Pernambuco está no BNDES. E até agora nada,

A dificuldade por que passa a indústria têxtil não é privilégio de Pernambuco. É de todo o Brasil. O problema social que acarreta não é só em Pernambuco. É o mesmo em todo o Brasil. As dificuldades, ressaltando-se um ou outro caso de administração incompetente, são as mesmas para todo o Brasil. Ou seja, não se trata de ser contra a ajuda à Nova América. Trata-se de ser contra uma política recessiva oficial que destrói as empresas nacionais e não cria empregos para cariocas ou nordestinos.

Nem se trata evidentemente de defender a regionalização do prejuízo causado por empresários não competitivos. Trata-se apenas de constatar que se existem empresários não competitivos, existem também discriminações oficiais.

(Joaquim Falcão)

_16/08/1984_