Todos os principais líderes do PDS — Roberto Mágalhães, Marco Maciel, Gustavo Krause, Adérbal Jurema — provavelmente deixarão o PDS. A meio prazo devem entrar no novo Pártido Liberal, articulado nacionalmente. Evidenemente que muita água vai rolar. A reformulação partidária que agora começa vai ter sua forma definitiva com a Constituinte e com, a nova presidência. O que não impede porém que constatemos desde já algumas mudanças significativas na relação entre os partidos e eleitorado daqui de Pernambuco.

Nó quadro partidário local, o esvaziamento do PDS e seu compromisso com a candidatura Maluf ou Andreazza, necessariamente o transfoemará no partido da direita. Nos idos de 64, seria chamado do partido da reação. Que poderá ser a direita do continuismo andreazzista, ou a direita do empresarialismo malufiano. Na outra ponta, deverão estar o Partido Comunista (caso o apoio a Tancredo viabilize sua legalização), e o PT, caso consiga ultrapassar as fronteiras do urbão São Paulo. Disputando o eleitorado do centro deverão estar o PMDB, o PDT, que já estão, e o novo Partido Liberal.

Nada, porém, na política, é tão esquemático e simples assim. Muitos complicadores tornam este quadro necessariamente muito mais complexo. Mas parece razoavelmente provável que o Partido Liberal nascerá forte em Pernambuco. Por um lado, será o partido do governo
estadual. O que em termos da aritmética eleitoral significa dizer que será o partido com maior probabilidade de controlar os votos do sertão e do agreste, que sempre decidiram as eleições. Por outro, na medida em que se descomprometer progressivamente com os desmandos de 64 e se opuser ao PDS, será um partido com muitas probabilidades de conquistar, ou melhor, de reconquistar, o voto da classe média urbana, canalizado ultimamente sobretudo para o PMDB. Em outras palavras, o Partido Liberal terá condições de reconquistar grande parte dos votos das grandes cidades, antes dados a Jarbas Vasconcelos e Marcos Freire.

Tudo vai depender da natureza do quadro político nacional nos primeiros anos da próxima presidência. Se a ênfase for na conciliação e na negociação, o PMDB, o PL e o PDT deverão se confundir na procura do voto de centro. As alianças entre estes partidos definirão as eleições. Não será surpresa se por exemplo, for repetida uma aliança do tipo de Miguel Arraes e Paulo Guerra, do então PDS, e que elegeu Arraes a governador. Se porém a ênfase for na radicalização, então a história é outra.

(Joaquim Falcão)

_02/08/1984_