A eleição para prefeito do Recife já está nas ruas, na televisão e nos outdoors. E sobretudo nas conversas dos políticos. Escolher candidatos e fazer alianças é um quebra-cabeça. Difícil mas não impossível de ser solucionado. Sobretudo porque alguns dados são bastante claros. Dos quais ressaltamos três. Primeiro, o eleitorado do Recife é dividido em cerca de 65% para o PMDB, 35% para o PDS/PFL. Segundo, por ser minoritário eleitoralmente, o PFL só definirá seu candidato depois de o PMDB definir o seu, tal como em 82. Finalmente, sofrendo as consequências congênitas de ser uma frente, o PMDB, também como em 82, é muito vulnerável a disputas internas, suficientemente fortes para abalar seu desempenho eleitoral.

Se assim é, pode-se vislumbrar dois cenários alternativos para as eleições recifenses. O primeiro cenário pressupõe que o PMDB consiga se articular em torno da única candidatura que foi posta até agora: a de Jarbas Vasconcellos. Nenhuma outra surgiu. Não apenas porque os outros dois possíveis candidatos de expressão eleitoral — Miguel Arraes e Marcos Freire — pretendem se candidatar em 86, como também por Jarbas ter sido o deputado federal mais votado no Recife, com mais de vinte por cento dos votos em 82. Se o PMDB caminhar em torno do Jarbas Vasconcellos, a eleição se dará em torno de três nomes: Jarbas, Roberto Freire pelo PCB, e o candidato do PFL/PDS. Que neste caso será um candidato quase que pró-forma, uma vez que dificilmente
haverà um nome capaz de reverter a tendência do eleitorado pró-PMDB.

O segundo cenário pressupõe o conflito interno e o veto do PMDB às pretensões de Jarbas. Neste caso, o PTB, o PT e o PDT continuam a assediar Jarbas e a lhe oferecer além de legendas, a aliança. Aliança que será reforçada na campanha pelos políticos pró-Jarbas, que mesmo continuando dentro do PMDB, terão dificuldades com suas bases para apoiar outro candidato. Jarbas tem sistematicamente recusado esta hipótese. Mas neste cenário, a eleição se dará entre o candidato do PMDB, Jarbas pela aliança PTB/PDT/PT, Roberto Freire pelos comunistas e o PDS/PFL que lançarão nome forte para concorrer: Gustavo Krause ou Joel de Hollanda, por exemplo. Com grandes chances de vitória. Basta manter os cerca de 35% que obteve em 82 com a dupla Roberto Magalhães e Gustavo Krause. Este cenário depende tanto do esforço interno do PMDB, quanto da capacidade dos setores vinculados ao PFL/PDS estimularem, de fora, o conflito interno do PMDB.

Nos últimos dias, um grande esforço entre os principais líderes do PMDB está sendo feito para “costurar” o partido internamente. Se a costura não der certo, o PMDB terá em 85, perdido 86.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 19/05/1985_