Promessa é dívida. E a Aliança Democrática e o presidente José Sarney começam a pagar. Esta semana o Congresso Nacional apreciará e votará a proposta da Comissão Interpartidária para realizar eleições para prefeito de capitais, municípios de segurança nacional e estâncias hidromínerais, em 25 de novembro. Alguns governadores nordestinos são contra a realização destas eleições. Poderão pressionar seus deputados negativamente. Mas é pouco provável que o congressista possa, de alto e bom som, votar contra esta quase obsessão popular; a de eleger logo seus dirigentes. Na verdade, esta é reivindicação de Tancredo. Mas antes é expressão de uma necessidade nacional expressa nos comícios.

O projeto de lei prevé eleições em dois turnos. No primeiro, concorreriam todos os partidos. No segundo, se nenhum dos candidatos atingisse maioria absoluta, concorreriam os dois mais votados. Este é o único item polêmico do projeto. No Nordeste, e no Recife em particular, esta proposta praticamente não se aplica. Pois por aqui, pelo menos por enquanto, existem apenas dois partidos. Arena e MDB. Aliás, FDS e PMDB. Quer dizer, PDS/PFL e PMDB. Esta proposta só teria sentido se fosse aplicada às eleições municipais de todos os municípios.

Neste caso, os dois turnos funcionariam como a sublegenda disfarçada. Pois as disputas entre PDS e PDS-1 e PDS-2 de ontem, e o PDS e o PFL de hoje seriam resolvidas no primeiro turno. O turno para definir o candidato da situação contra o PMDB.

Os argumentos mais gerais contra a eleição em dois turnos porém são outros. O primeiro é que encarece demasiadamente as eleições. Não apenas para o Tribunal Eleitoral. Ninguém desconhece que o dia mais caro da campanha é o dia da eleição, do esforço final de mobilição. Em vez de um, haverá dois, beneficiando os candidatos de maior fôlego financeiro. O segundo é que desestimula a collagação partidária. Como todos os partidos concorrem no primeiro turno, ninguém vai querer se coligar. Todos vão correr o risco. E no segundo turno, os dois vencedores não necessitam mais, de collagações ou alianças. Vai ser direita contra esquerda. Governo contra oposição. Cada eleição se transformará em eleição plebiscitária, com alta dose de instabilidade para o regime

(Joaquim Falcão)

_28/04/1985_