Está sendo entregue a Ulysses Guimarães e a Jorge Bornhausen o resultado do acordo feito pelas bancadas na Câmara dos ‘Deputados, do PMDB e PFL, em torno dos cargos do terceiro escalão. Basicamente os cargos federais localizados no Estado. Pelo PFL os negociadores foram os deputados José Jorge e José Moura. Pelo PMDB foram os deputados Roberto Freire, Monsueto Lavor e José Carlos Vasconcellos.
A negociação iniciou pela definição das regras principais, que foram as seguintes: indicação conjunta; cada partido dispôs de metade dos cargos; cada partido negociará diretamente com o ministro respectivo os nomes indicados. Quer dizer, nesta fase não se definiram nomes ainda. Com poucas exceções. Definiu-se apenas o partido que indicará nomes para os cargos. Não houve indicação para os órgãos do primeiro escalho com pernambucanos no comando: Ministérios da Justiça e Educação, Caixa Econômica Federal e BNH. Houve uma indicação de consenso: Gentil Mendonça para delegado regional do Ministério do Trabalho. Entre os cargos com o PFL estão a LBA, o DNOS e a Refesa. Com o PMDB estão o Metrorec, a Cobal e o DNER. Mas a lista é maior. São mais de trinta cargos.
As consequências políticas destes acordo são
duas. A primeira, fica claro que o eixo das decisões sobre Pernambuco começa a passar mais intersamente por Brasília. Os deputados federais de ambos os partidos dão uma demonstração que não pretendem ficar marginalizados das decisões locais. Sobretudo diante da proibição das eleições que já entram em fase de preparação. Até então, os deputados estavam mais voltados para as questões nacionalais. Agora, voltam-se também para o dia-a-dia da política pernambucana. A segunda, reforça-se a possibilidade de ao menos por um período de tempo, a negociação ser o principal instrumento da vida política. A Aliança Democrática sai prestigiada. Passa por um teste importante. Talvez se preparando para as eleições de prefeito do Recife.
Evidentemente que este acordo não encerra este capítulo que se prolonga: a composição do novo governo. Haverá ainda negociação com os ministros, que terão, é claro, poder de veto. Mas é sem chívida um passo importante.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 11/04/1985_