Confirmada a indicação de Fernando Lyra para a Casa Civil, com relação a Pernambuco, a semana foi tomada por duas outras questões. Marco Maciel vai ser ministro da Educação? Marcos Freire vai ser ministro dos Assuntos Fundiá
rios? As respostas são tão provisórias quanto crescentemente positivas. Ambos deverão iniciar a próxima semana como ministeriáveis. Marco Maciel, dependendo apenas de convencer a si próprio que é possível ajudar a criar um partido e ser ministro ao mesmo tempo. Marcos Freire, dependendo da capacidade de o PMDB de Pernambuco fazer prevalecer sua indicação diante do Paraná, Goiás e Amazonas.

São tantos os critérios para a escolha de ministros que melhor mesmo é abandonar qualquer tentativa de explicação. E apenas analisar a adequação, ou não, entre o candidato, sua região e o cargo. Neste sentido, tanto o Ministério da Educação é desafio importante para Maciel quanto o de Assuntos Fundiários para Marcos Freire.

Um paruão novo e antes que tudo um esforço para captar eleitores. Para encontrar um lugar ao sol. Ora, qualquer estatística eleitoral evidencia algo muito simples. Cerca de 45 a 50% dos eleitores têm menos de trinta anos. Quer dizer, são jovens. Quer dizer, o partido, ou o político que tiver algo a dizer aos jovens, terá lugar nesta democracia que se constrói aos poucos. Considere-se ainda que nenhum dos atuais partidos tem mensagem, programa ou
projetos específicos para jovens. Considere-se também que o primeiro programa para o jovem eleitor é a educação primária, técnica ou superior. E depois, emprego. Neste contexto, o Ministério da Educação é essencialmente o Ministério do Jovem, em outras palavras, o Ministério da maior fatia do eleitorado brasileiro. De resto, não custa nada lembrar que o PFL foi extremamente parcimonioso ao eleger suas prioridades. São cinco apenas: Constituinte, descentralização administrativa, renegociação política da dívida externa, valorização do setor informar da economia, e justamente: Educação.

No que se refere ao Ministério dos Assuntos Fundiários, uma consideração é importante. Assim como São Paulo é o pós da reivindicação dos trabalhadores industriais, Pernambuco é o pós da reivindicação dos camponeses. E estes querem terra. Querem reforma agrária. Não que o Paraná, Goiás ou Amazonas não tenham também problemas fundiários. Mas Pernambuco é o lugar onde o problema fundiário é problema social e político agudo. De resto, a melhor sobrevivência do PMDB nordestino, o partido do presidente, não é proporcional à sua capacidade de expandir suas mínimas bases rurais?

(Joaquim Falcão)

_24/02/1985_