A estimativa da reputada federal Cristina Tavares (PMDB-PE) é que este recém-criado movimento parlamentar denominado “Articulação Progressista” conta com cerca de cinquenta congressistas. Não se trata do núcleo inicial do futuro Partido Socialista. Pelo menos, por enquanto. Trata-se apenas de uma convergência de opiniões que se vai transformar em ação dentro do Congresso: na Câmara e no Senado. São deputados e senadores que vão votar juntos. Atuar juntos. Não para disputar cargos nas mesas ou nos Ministérios. Mas para defender projetos de lei e emendas constitucionais que julgam indispensáveis para a transição democrática. A articulação progressista congrega parlamentares do PMDB, PDT, PT e do PTB também. Ao lado de Cristina Tavares estão Jarbas Vasconcellos e Miguel Arraês, de Pernambuco, Roberto Saturnino, do Rio de Janeiro, Airton Soares, de São Paulo, Francisco Pinto, da Bahia, Jorge Fogaça, do Rio Grande do Sul, entre outros.

A convergência de opiniões se estabeleceu na constatação de que forças populares, e forças não-populares também, sustentam o governo Tancredo Neves. Daí a necessidade de assegurar avanços não apenas no plano político, mas no plano social também. O risco possível é de tudo mudar, para nada
modificar. O que acarretará frustração popular, de consequências imprevisíveis. O conflito de interesses econômicos, acreditam, surgirá no meio do governo Tancredo Neves. Donde, é preciso ação parlamentar decidida a favor das forças populares.

O primeiro passo será a defesa de pré-requisitos democráticos para convocação da Constituinte: a democratização dos meios de comunicação (revisão inclusive do sistema de concessões de rádio e televisão); reformulação das leis de Segurança Nacional e Organica dos Partidos; além do saneamento eleitoral já defendido por Ulysses Guimarães. A partir desta segunda-feira, diversos grupos de trabalho deverão ser constituidos; meios de comunicação e informática eleitoral, com Cristina Tavares; reforma partidária, provavelmente com Roberto Saturnino; política salarial, com Airton Soares e outros. Em outros palavras: não se trata de oposição ao governo Tancredo Neves. Trata-se apenas, e sobretudo, de vigilância progressista popular diante do eventual surto conservador democratizado.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 13/01/1985_