Se em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, o pluripartidarismo é cada dia mais provável, em Pernambuco não. É cada dia menos provável. A depender das lideranças políticas locais, o PT, o PDT, e o que restar do PDS, terão dificuldades crescentes em aí se consolidarem. O Estado tende a continuar quase exclusivamente repartido entre PMDB e PFL (ex:PDS), Basta, por exemplo, atentarmos que nestes últimos dias, dois focos de tensão — um no PMDB e outro no PDS — foram desativados, tornando ainda mais remota a perspectiva de fragmentação destes partidos dominantes.
No PMDB, os deputados Fernando Lyra e Jarbas Vasconcellos, que representam tendências distintas, retomaram uma via concreta de entêndimento. Mesmo mantendo sua decisão de não comparecer ao Colégio Eleitoral no dia 15, Jarbas Vasconcellos concordou com Lyra na necessidade de fortalecer o PMDB. Um partido a-cumprir tarefa difícil, mas não impossível ser “governo”, sem abrir mão de ser o principal veículo das aspirações, insatisfações sobretudo, populares. O entendimento entre Lyra e Vasconcellos tem as mesmas bases que o entendimento entre Tancredo e Ulysses. Quem jogar na possibilidade de conflito e divisão interna do PMDB através desta via, joga com boas chances de perder. A via concreta do entendimento retomado vai além do quadro político atual. Pode projetar-se para 1986, inclusive.
Do lado do PFL, também nestes últimos dias, Gustavo Krause, atual vice-governador, acertou com Roberto Magalhães que assumirá o governo de Pernambuco, quando Roberto se desincompatibilizar para se candidatar ao Senado em 86. Será governador por cerca de 10 meses. Com este acordo neutraliza-se a ameaça do deputado Oswaldo Rabello (PDS-PE), malufista, assumir o governo, caso eleito, agora, novo presidente da Assembléia Legislativa, o que ainda não está definido. Além desta consequência nítida, o entendimento Magalhães-Krause evidencia a permanente capacidade das diversas forças políticas que integram Arena-PDS-PFL se unirem, encontrando o denominador comum que as fortalece. E entendimento que abre espaço para outros, entre os grupos de Magalhães e Marco Maciel. Quem jogar nesta divisão, joga também com boas chances de perder.
Dal, não se pode esperar a reprodução, ao nível estadual, da conciliação ao nível nacional de Tancredo Neves e da Aliança Democrática. Pode-se apenas deduzir que ambos os partidos estão conscientes de que só depois de equacionarem suas tensões intrapartidárias é que poderão sentar na mesa da negociação interpartidária.
(Joaquim Falcão)
_06/01/1985_