Não foi sem surpresa que paulistas e cariocas souberam que o pernambucano anda insatisfeito com o governo Roberto Magalhães. Na última pesquisa Gallup, a popularidade do governador caiu trinta pontos. A maior queda do Brasil. Contrastando com seu desempenho nacional. Pois a desenvoltura com que defende nova política econômica, o Nordeste, as eleições diretas e os interesses nacionalistas lhe trouxeram imagem positiva no Sul do País. Contrastando, agora, com a opinião do pernambucano. Por que isto?
E difícil saber. A pesquisa não aponta causas. Apenas fotografa opinião. No caso, a opinião completa foi a seguinte: 3% o julgam um ótimo governador; 26%, bom; 51%, regular; 5%, mau; 3%, péssimo; e 12% não sabem. Não existe uma só explicação. Existem várias. E um quebra-cabeça. Algumas podem ser levantadas. Por exemplo, dos três Estados nordestinos, pesquisados — Ceará, Bahia e Pernambuco —, foi aqui onde a vitória do PDS foi mais disputada e apertada. A diferença de votos menor. O PMDB é mais forte em Pernambuco. E natural que o eleitor de Marcos Freire não se disponha seis meses depois a apoiar o governo de Roberto Magalhães.
Hã que se considerar também a solução insatisfatória que o governo deu a pelo menos dois grandes problemas que enfrentou. O problema da poluição dos rios do Grande Recife, feita com autorização do próprio governo. E as sucessivas denúncias de erros, excessos e
eventual corrupção nas empresas estatais estaduais. Pode ser até que as soluções ainda não tenham sido completamente implementadas. Mas até hoje, o pernambucano desconhece os responsáveis por estes problemas. Mais ainda: desconhece se haverá ou não punição. Para não falarmos dos pés e mãos amarrados diante da seca.
Ao contrário da Bahia, o orçamento de Pernambuco é hoje de cerca de catorze bilhões. O que força uma administração quase sem projetos e sem obras. O setor privado vê despedaçarem-se suas indústrias têxteis e a construção civil. O Recife é, provavelmente, campeão nacional do desemprego e subemprego. Considere-se enfim o ideário ético-político do governador, que o tem impedido de festivamente inaugurar as obras agora concluídas de Marco Maciel e José Ramos. E de progredir com o empregismo partidário.
De resto, é provável, a continuar a crise do governo federal, que o País seja assolado por tendência muito mais grave. Diante da incompetência federal, cristalizada na concentração política e financeira, qualquer governo, de qualquer partido, federal, estadual ou municipal, será apenas a aventura do desgaste permanente. Até o dia da reformulação do próprio regime.
(Joaquim Falcão)
_08/11/1983_