Aureliano, Ulisses e Brizola são a favor. Andreazza e Maluf, contra. Ludwig, Délio e Túlio parece que são a favor. Medeiros e Cruz, provavelmente, contra. O importante porém é que pouco a pouco as eleições diretas deixam de ser matéria exclusiva da opinião e decisão de candidatos e autoridades. Assumem peso próprio. E se evidenciam como a grande possibilidade do País obter um mínimo de estabilidade econômica. O que é razoavelmente inesperado. Na medida em que o discurso oficial sempre dizia que adotar eleições diretas era jogar o País e sua economia no caos e na agitação. Não é mais. Mudou. Ao contrário, hoje eleições diretas são exigência da política econômica. Basta um simples exercício de futurologia para constatar.
Dois são os aspectos importantes a analisar. Primeiro, o fato de que daqui para a frente é provável que o Congresso interfira cada vez mais na política econômica. Já interferiu nos decretos salariais. Hoje, se quizesse, por exemplo, não concederia a autorização solicitada pelo presidente Figueiredo para emitir mais 950 bilhões. Daqui para a frente vão surgir inámeras ocasiões para o Congresso exercer legal e legitimamente seu poder na área econômica. Segundo, o fato de que o futuro presidente para poder implementar qualquer política
econômica terá que ter o apoio do futuro Congresso. O presidente de 1984 vai governar muito com o Congresso de 1986.
Se não houver acordo entre eles, não haverá carta do FMI ou ministro forte na Seplan que controle a economia do Pafs. O controle e a viabilidade da política econômica resultarão da convivência entre o futuro presidente e o futuro Congresso. Se for uma convivência conflituada não vão faltar bolsões radicais a querer crucificar o Congresso. E os militares vão ser obrigados a dar meia volta. E a não voltarem aos quartéis.
Por tudo isto uma candidatura Andreazza ou Maluf, como colocadas hoje, fraturando o próprio PDS, os militares, a tecnocracia e o Congresso e, sobretudo, sem o nítido apoio popular, pode até ser vitoriosa. Mas dificilmente impedirá que o eleitor frustrado de hoje eleja no Congresso de amanhã uma ampla maioria oposicionista. A viabilidade da política econômica acertada hoje será decidida pelo voto do eleitor em 1986. Que julgará desta maneira a legitimidade ou não das eleições indiretas, caso estas prevalecam.
(Joaquim Falcão)
_03/11/1983_