A igreja estava repleta de autoridades e convidados. Na frente, o governador Tancredo Neves e o ministro Golberi. Comemorava-se a instalação da comissão que vai promover a restauração do antigo colégio mineiro, o Cáraça. Do prédio histórico hoje em ruínas. No meio da serra, distante de Belo Horizonte. De repente, começa um zunzunzum da porta da igreja. Um rebúlico. As pessoas se afastam para dar passagem. As autoridades postas perto do altar ignoram o que se passa. Olham para trás. E uma velha senhora negra. Se segurando numa bengala, ambas curvas pela idade. Vem ar-dando devagar devagarzinho na direção do altar. A multidão vai dando passagem. Afastam-se. A velha negra caminha. E ao caminhar, vai indagando em voz suficientemente alta, para deixar a todos se não constrangidos, pelo menos perturbados: cadê o governo?… cadê o governo?… Cadê o governo?…

Uris se afastam. Outros se esquivam. Até que ninguém aponta em direção ao impassível governador Tancredo Neves. A velha senhora aproxima-se. Olha-o bem olhado. De frente, Satisfeita, coloca-se atrás do governador. Autoridades e convidados respiram como que aliviados. A velha senhora negra ali fica toda a

Este acontecimento mineiro ajuda a entender a atitude do mineiro Aureliano Chaves, na Presidência da República. Na verdade, o tempo todo, Aureliano está simbolicamente evidenciando com competência que o País pode ter governo. Não que não o tivéssemos sob Fígueiredo. Certamente, o tínhamos. E o teremos. Mas, por força inclusive das circunstâncias, para muitos negativas, Aureliano está mostrando que ele desenvolve outro estilo de governo. Que não seja um governo dilacerado pela briga interna do PDS em torno da sucessão presidencial. Que não seja um governo parallisado à espera das renovadas orientações do FMI. Que não seja governo de um ministro só.

Que não transforme providências administra-
vas rotinares e cotidianas em problemas de

Seuavance Nacional ou aberta política

Em tempo, Apesar de o ministro Golberri ter comparcido a solenidade do Charação, a fuser parte da comissão, não foi ele que o par煙

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_Recife, 09/08/1983_