Não está em jogo a solidariedade do presidente Aureliano para com o Nordeste. Está em jogo a capacidade do Governo Federal e a disposição de sua política econômica em resolver este problema Nordeste. E fácil perceber porque, Pelo menos dois episódios nos ajudam a esclarecer. Quando Aureliano perguntou o que lhe faltava, o trabalhador alistado nos bolsões da seca, João Ferreira, respondeu na bucha: alimentos. O que deveria ser feito para melhorar a situação? João respondeu também sem hesitar: aumentar o salário. O outro episódio é de dois dias antes da visita ao Nordeste. Na mesma hora, em que o superintendente da Sudene informava, para todo o Palu, que de 1879 até hoje o Governo foi colocar a valore corrigida no Nordeste. Cerca de 350, bilhões, na mesma hora os jornais do Rio diziam que o passivo da coroa era de mais de 400 bilhões de crêns-tros.
Em outras mais simples polhas. O que o trabalhador flagelado disse simbólicamente no Presidente e que a ajuda, que se quer é
emprego e salário. Salário digno. O resto, deixem por nossa conta. O que o diálogo inexistente entre a Sudene e a coroa diz é que não se pode equacionar o problema da seca e do Nordeste com uma política econômica e financeira muito mais complacente com os rombos e escaladados impunes do setor financeiro privado, do que com os fatos alegados pelo próprio governador Roberto Magalhães: o trabalhador alistado na frente de emergência tem que viver, ele e sua família, com 15 mil criseiros por mês.
O presidente Aureliano conseguiu trazer a Pernambuco um Delfim Neto constrangido. Passou umas seis horas por aqui. Há anos que não vinha. Infelizmente, o presidente Aureliano não conseguirá porém mudar a política salarial e a política financeira. Se mudasse não precisava nem vir ao Nordeste ver a seca. Resolvia o problema de lá mesmo de Brasília, Joaquim Falche.
[ASSINATURA NÃO DETECTADA]
_07/08/1983_