Os médicos brasileiros estão escolhendo suas novas líderanças. Elegendo as novas diretórias dos Conselho Regionais de Medicina. Em Pernambuco também. Pela primeira vez depois de muitos anos ocorre intensa mobilização eleitoral. Com campanha, debates, programas e facções políticas. E eleição cada dia mais, democratizada. Exigindo de todos os médicos maior participação. E voto mais consciente. O motivo é simples. A evolução da crise econômica, política e social do Brasil de hoje está forçando os médicos a irem além dos problemas especificamente profissionais, como o problema da responsabilidade diante do erro médico, ou o da manutenção de um mínimo de padrão ético na competição intraprofissional. Está forçando os médicos a se posicionarem diante de temas mais amplos, não-médicos, mas que interferem definitivamente no desempenho de cada médico no seu consultório ou no seu hospital. Na capital ou no interior.
O salário do médico, os direitos trabalhistas dos residentes, as precárias condições de funcionamento dos hospitais, a crônica subnutrição da maioria dos pacientes, todos estes
problemas estão irremediavelmente vinculados à política de saúde e à política previdenciária do governo federal e dos governos estaduais, no primeiro momento. E, no segundo momento, estão vinculados à própria política econômica de Brasília. A centralização das decisões políticas, à concentração da renda nacional, a progressiva estatização do médico, são hoje os condicionantes básicos que viabilizam ou não as condicões para o bom ou mau desempenho profissional do médico brasileiro.
Neste sentido, ser líder da classe médica é ser também um líder da sociedade civil. E, antes de mais nada, ser um líder que, sem perder o contato com a sua realidade local, deve saber se posicionar diante dos grandes temas nacionais. E ser líder de posições políticas, sem ser líder partidário. Por isso mesmo, a cada dia que passa é mais importante um movimento médico de Ambitó nacional. Pois o grande interlocutor é o governo federal. E as grandes questões são questões nacionais.
(Joaquim Falcão)
_04/08/1983_