O fato de que consumirá 25% da futura oferta de energia em Pernambuco está pesando na decisão do governador Roberto Magalhães de continuar ou suspender o projeto de indústria de alumínio, Alune. Além deste, pelo menos três outros aspectos merecem consideração. Primeiro, nestes meses iniciais, a folha do pessoal estadual tem sido maior do que toda a receita de ICM. As demais receitas estaduais mal chegam para os juros dos empréstimos nacionais e internacionais e para mínimo custeio da máquina administradora. Ou seja, o novo governo só investiu no Estado com parcos. Recursos federais. E todo mundo sabe: o governo federal nem quer, nem poder, investir em Suape.
Segundo aspecto a considerar é o custo alternativo de Alune/Suápe. O projeto foi concebido pela imprevidência dos dólares. Táceis e decisões burocráticas autoritárias. Construiu-se uma estação de tratamento de água para atender uma cidade de 200 mil pessoas. Nem existe a cidade. Nem as suas indústrias. Como afirmou o verador Carlos Eduardo Pereira (PMDB), se a Compesa, empresa de água estadual, em vez de
enterrar estes recursos em Suape, os tivesse aplicado em Recife e Olinda, o abastecimento de água e a rede de esgotos não teriam chegado à deterioração a que chegaram. Agravados por uma administração razoavelmente ineficiente.
Finalmente, os alemães, sócios da Alune, não querem investir agora. O que não é atitude isolada. Paradoxalmente, uma das consequências da abertura ao capital estrangeiro ocorrida nestes últimos 18 anos de Brasil é justamente a retração e a falta de confiança destes investidores na economia brasileira e seus gestores. Este ano, os investimentos europeus já caíram em 2/3. Informações disponíveis indicam que os alemães querem apenas que o governo de Pernambuco guarde tudo direitinho. E mantinha seus compromissos para subsidiá-los na Alune, no dia que escolherão. Em outras palavras, do governo federal e dos séculos alemães, a decisão simbolicamente já estaria tomada
(Joaquim Falcão)
_02/08/1983_