O governador Roberto Magalhães está para decidir se continua ou não com a implantação do projeto Alune em Suape. Se implanta ou não uma indústria de alumínio no que pretende ser o futuro complexo industrial portuário de Pernambuco. Alune foi destinada pelo governo Marco Maciel para ser concretizada com grupos empresariais alemães. É decisão difucil, afirma o governador. Na realidade esta decisão pode iniciar uma radical modificação, ou mesmo suspensão, do próprio projeto Suape.

Estaria pesando na decisão do governador o consumo de energia demandado. Alumínio é 89% energia. Entre expandir indústria de alumínio e poupar ou utilizar energia para outros fins, os países desenvolvidos preferem agora a última hipótese. Hoje, energia é estrategicamente mais nobre que alumínio. Consideração importante para o caso. A hidrelétrica de Paulo Afonso esgotará sua capacidade em poucos anos. Pelo projeto, Afune consumirá sozinha 25% da nova hidrelétrica. E provavelmente a custos subsidiados. Resta saber se Pernambuco deve concentrar num só projeto, de retorno extremamente duvidoso, controlado por alemães, parte importante de sua disponibilidade encrégética.

Desde o início, Suape foi pomo de discórdia. Os governos Eraldo Gueiros, Moura Cavalcanti e Marco Maciel acreditaram que Suape era a única possibilidade de revitalização industrial do Estado. Investiram centenas de milhões de dólares. As oposições, populações locais e membros da comunidade científica sempre foram contra. Alegando irrealismo operacional, inviabilidade financeira e destruição ecológica e histórica.

A progressiva inviabilidade de Suape é devida à mudança radical na economia nacional e internacional. De previsão difícil na época de concepção do projeto. E é devida também ao desprezo com que as autoridades estaduais receberam as críticas. Os críticos de Suape eram tidos por desinformados, tecnicamente românticos e ideologicamente radicais. Não foram, nem são. Os investimentos desastrosos em Suape sugerem importante desafio político estadual, de modo a não permitir que investimentos desta ordem de grandeza sejam realizados sem participação e controle do Legislativo e de todos os grupos sociais interessados?

(Joaquim Falcão)

_Recife, 31/07/1983_