Passado o impacto inicial, pode-se avaliar com objetividade o que foi o dia nacional de protesto contra a política econômica do governo, aqui em Pernambuco. O importante não simplificar os resultados. Nem foi o sucesso que alguns líderes trabalhistas e políticos de oposição querem que tenha sido, nem o fracasso que algumas autoridades do governo e políticos situacionistas afirmam que foi. Nem foi assim, nem foi assado.
Do ponto de vista da mobilização popular, foi um fracasso. Nem houve greve, nem os atos públicos conquistaram multidões. Penambuco teve din absolutamente normal. Uma ou outra paralisação, no setor industrial, nada mais. Tudo funcionou normalmente. O que não dizer que a população está a favor da política econômica de Brasília. Com certeza não está. Quer dizer ape名人população não é sensível a mobilização protesto de última hora, sem maior representatividade e estreitamento entre lideranças dos trabalhadores e popu lação. Do ponto de vista da liberdade de manifestação, foi um sucesso. Os trabalhadores cobri-se a ação, onde veicularam suas meias peras convocadas. Mais ainda realizaram como publica com razoável segurança.
adequadamente o direito dos trabalhadores de se expressarem e se manifestarem livremente.
Do ponto de vista da atuação policial, Pernambuco ainda não se liberou do autoritarismo. Alguns líderes e manifestantes foram presos, sem estar cometendo nenhuma violência contra o governo ou contra os patrões. Ainda por cima, a polícia obrigou duas moças presas a serem fotografadas nuas, violando um direito humano fundamental. Alega a Secretaria de Segurança Pública que as moças recusaram-se a assinar termo afirmando que não tinham sofrido sevícias ou torturas. Como de fato não sofreram. Defensores das moças alegam que somente depois de elas terem sido fotografadas houve a proposta de assinar o termo.
A discussão não é esta. A discussão é sobre o uso impune e arbitrário do poder da polícia sobre os cidadãos. Se havia necessidade de exame de corpo delito, que se convocassem médicos de ambas as partes Provavelmente não havia esta necessidade. A fotografia foi meio de intimidar e de volar um direto humano.
(Joaquim Falcão)
_26/07/1983_