São diversos os esforços para resolver a crise entre os países ricos e os países pobres. O presidente Figuelredo, por exemplo, já alertou nas Nações Unidas, e agora outra vez na mensagem a Williamsburg, sobre a necessidade de se redefinir o sistema financeiro internacional. Esta mesma necessidade é defendida por François Mitterrand. Gliscard d’Estalng, por sua vez, tentou institucionalizar um diálogo permanente Norte-Sul. O México tentou a conferência de Cancún. Dom Hélder Câmara tem, porém, uma estratégia muito singular. Nestes últimos anos, dom Hélder investiu muito numa espécie de cateques internacional. O objetivo fundamental é denunciar a responsabilidade das relações Norte-Sul, no aumento ou na diminução da fome, miséria e doença que atingem a maioria da população do planeta. Sem sensibilizar, convencer mesmo, os países ricos de sua responsabilidade internacional, pouco se conseguirá. Sua catequese tem tido grande sucesso. Basta atentar para a coleção de prêmlos internacionais que detém, para as continuas solicitações que recebe, e para o respeito internacional que granjeou. Colocando-o certamente entre as maiores personalidades mundials deste final de século.

Esta catequese agora assume nova forma.

Onde mistura-se prodação e música.

Através de uma sífonia, a “Sinfonia dos Dois Mundos”, que dom Hélder Câmara compôs com o músico suíço Pierre Kaelin. Nos últimos meses, esta sífonia percorreu Europa e Estados Unidos. De Madison, Wisconsin, a Madeleine, em Paris. Com grande sucesso. E tocada em geral pelo próprio dom Hélder. Evidentemente, é uma sífonia política. Política pacifista. Onde se analisam a riqueza e a miséria e os contrastes que permiam a atual ordem política, econômica e social mundial. Onde procura-se mostrar, por exemplo, a responsabilidade dos jovens e até mesmo do desenvolvimento científico e tecnológico diante destes contrastes. Acredita dom Hélder que a sífonia, como elemento de conscientização, vale mais do que cem discursos e conferências. Por isto lança-se agora a compor também um balé.

Proximamente dom Hélder deverá deixar a Arquidioce se de Olinda e Recife. A responsabilidade da Igreja Católica em escolher o sucessor é grande. Necessita de um sucessor que tenha sensibilidade nacional e potencialidade internacional.

(Joaquim Falcão)

_12/06/1983_