Até então, na bolsa dos presidenciáveis, o nome de Marco Maciel estava colado apenas para a vice-presidência. Como vice de Aurellano, vice de Ludwig e até mesmo, como já pretendeu um deputado paulista, vice de Maluf. Na semana que passou, Maciel parece ter sido promovido. A imprensa veiculou até com alguma insistência fatos que sugeriam que Maciel é candidato a presidente, também, e não apenas a vice. Seus trunfos são por todos conhecidos: livre trânsito, de Ernesto Gelsel a Leitão de Abreu; experiência administrativa como governador de Pernambuco e legislativa como presidente da Câmara Federal; diálogo com os militares e a Igreja Católica; e sobretudo o fato de ser um nordestino, apoiado por nordestinos. Se tomarmos o Nordeste como um bloco eleitoral, não há por que a região se contentar com a vice-presidência. Pois detém 43 por cento dos convencionals do PDS, ou seja, 397 delegados em 914. Dos 8 governadores nordestinos, Maciel tem pelo menos o apoio de 4, para presidente ou para vice de Aurellano.
Mas não fica apenas nisto a explicação para o lançamento de seu nome para a Presidência da República. O que o deve ter provocado é seguramente a crescente polarização que ocorre em Brasília entre, de um lado, Malufe, de outro, Andreazza, Ambos,
cada um em seu estilo, buscando dia-a-dia um voto aqui outro acolá. Se continuarem assim, a convenção e a sucessão se decidem por antecipação. A não ser que dê empate. Mas se não der, não haverá espaço para Maclel, nem como candidato a presidente nem como a vice. Como não haverá até mesmo espaço para um eventual candidato de Figueiredo, guardado “in pectore”.
Neste sentido, e dado o constrangimento natural do atual vice-presidente, Aureliano Chaves, em sair por aí cabalando votos, parece ter ficado com Maciel a tarefa de criar espaços — neutralizando ou mesmo conquistando o apolo de convencionais — para que a Indicação do sucessor de Flgueiredo seja resultado de uma negociação política, e não de uma atuação fisiológica, no varejo de Maluf ou de Andreazza. Na verdade, ou se criam estes espaços dentro do PDS, ou a convenção será apenas um rito sacramental. Resta saber se ainda há tempo, pois em matéria de sucessão Maluf e Andreazza seguem o conselho de Vandré; quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 19/04/1983_