A reeleição de dom Ivo Lorschelter e dom Luciano Mendes para a presidência e secretaria-geral da CNBB, respectivamente, tem de imediato uma consequência principal. Reafirma a leitura progressista que a maioria esmagadora dos bispos brasileiros (171 votos em 257) fazem do Evangelho e dos ensinamentos de João Paulo 2.º. Reafirma a opção preferencial pelos pobres, que a Igreja Católica vem com sucesso desenvolvendo nos últimos anos. Em outras palavras, para nossos bispos a pregação espiritual passa necessariamente por uma tomada de posição diante dos problemas temporais dos fléis. Posição a favor da solidariedade e contra a violência. Seja política, seja econômica.

Para Pernambuco as consequências são ainda mais extensas. Por um lado, reafirma a confiança nacional na linha de atuação adotada por dom Hélder Câmara e seu bispo auxiliar, dom Lamartine. Por outro, baliza a escolha do sucessor de dom Hélder na Arquídocese de Olinda e Recife. É que, completando 75 anos, é altamente provável que dom Hélder peça a João Paulo 2º que indique um sucessor. Ora, com a confiança renovada
da CNBB em dom Ivo e dom Luclano, ambos passam a ser fortes candidatos para virem para Pernambuco. Por dois motivos pelo menos.

Primelro porque os cargos que exercem agora — bispo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e bispo auxiliar em São Paulo — tornam-se mais e mais incompatíveis com a presença nacional de ambos, e com o apoio que têm da Igreja Católica brasileira. A ascensão na carreira eclesiástica é uma consequência natural. Mesmo porque já têm ambos tempo suficiente para tanto. E o principal posto de importância compatível deverá ser o Arcebispado de Olinda e Recife,

Segundo porque se trata de dois líderes religiosos que já demonstraram independência e capacidade de diálogo com o governo, além de não representarem uma ruptura na linha de atuação de dom Hélder. O que, se ocorrer, transformaria sua sucessão numa questão política.

(Joaquim Falcão)

_14/04/1983_