Se o desemprego em São Paulo é grande, em Pernambuco é pior. O governador Roberto Magalhães estima que, se considerarmos a zona rural, o desemprego no Nordeste é de cerca de 20 por cento. Já a televisão local é mais pessimista. Estima que só no Grande Recife existem cerca de 30 por cento de desempregados. Em alguns setores, como na indústria metalúrgica, na indústria têxtil e na construção civil, o índice é maior. Estima-se na construção civil cerca de 60 por cento de desempregados. Na verdade, cada um tem que avaliar a extensão do desemprego a seu modo. Há muito que os indíces oficiais se afastaram da realidade. Perderam credibilidade. O fato é que, no Recife, desemprego é fenômeno crescente e visível. Basta ver o crescimento do número de camelôs no centro da cidade, provocando uma crise com os comerclantes estabelecidos.

A questão porém é: o que fazer? Na medida em que a Presidência da República mantém a atual política econômica, a despeito não de pressões, mas dos próprios resultados (que até agora nunca corresponderam às próprias expectativas oficiais), só restam duas alternativas. Primeiro, continuar tentando convencer as autoridades de
que esta política, além de ineficaz, é anti-nacional. Segundo, procurar formas sectorializadas e transitórias de combate ao desemprego.

Logo em 1964, a dupla Roberto Campos e Otávio Bulhões acoplou recessão com o desenvolvimento setorializado da construção civil. O que pelo menos amorteceu a crise social e política advinda com o desemprego urbano. Hoje, esta receita exigiria, se não a expansão, pelo menos a manutenção do nível de programas da Cohab. Em Penambuco, a Cohab trabalhava com uma média de 30 mil habitações em construção, o que inclusive muito contribuí para desarmar o gatilho da invasão de terras. Atualmente a média da Cohab baixou para cerca de 10 mil habitações. Além de estar com seus pagamentos em atraso, provocando instabilidade no setor. Sem falar no setor de incorporação, semiparalisado pela falta de crédito. O problema é que, enquanto não se descobrir fórmula melhor, a construção de habitação popular é ainda o melhor meio de amortecer o desemprego.

(Joaquim Falcão)

_12/04/1983_