Uma das dificuldades que os governadores eleitos estariam sentindo para escolher os prefeitos das capitais, é encontrar um nome que nem venha a disputar-lhes o comando político do Estado, nem deflagrar, quatro anos antes, a sucessão. O prefeito da capital, hoje, tem grandes chances de ser em 86 o candidato a governador. Depois do governador, o prefeito do Recife é o político mais importante de Pernambuco. Por vários motivos. Recife é o principal colégio eleitoral do Estado. Exerce decisiva influência no comportamento político de todo cidadão pernambucano. Nos próximos anos, Recife será privilegiada com recursos do Banco Mundial para obras de infra-estrutura. Tudo indica, porém, que o governador eleito Roberto Magalhães já está pronto para esta difícil escolha. Já se fixou em um nome para prefeito do Recife. Não foi divulgado ainda. Mas fontes extra-oficiais sugerem tratar-se de Joaquim Francisco Cavalcanti, o coordenador-geral da campanha eleitoral Magalhães-Krause-Maciel.

Não se trata de um político. E, antes, um jovem administrador de 34 anos. Foi secretário de Trabalho e ação social do governo Moura Cavalcanti, e, diretor da empresa estatal Alune, encarregada em desenvolver, por aqui, um importante projeto de redução de alumínio. Neste último cargo, não hesitou em praticar ato pouco comum nestas épocas. Ao perceber a incompatibilidade entre seu desempenho administrativo e os interesses do grupo alemão que
desenvolveria o projeto e absorveria a

Alune, renunciou. Em nome da ética que
deve reger a gestão da coisa pública.

A se confirmar esta indicação, o cargo de prefeito do Recife estará aparentemente neutralizado em relação à sucessão de 86. Joaquim Francisco não consta habitualmente da lista dos prováveis candidatos do PDS ao governo em 86. Sua ligação com Magalhães diminui as possibilidades de uma concorrência política.

De qualquer modo, quem vier a ser prefeito, enfrentará pelo menos dois desafios. Primeiro, transforma-se de nome indicado em nome negociado. O PDS tem vários nomes candidatáveis. O deputado federal Osvaldo Coelho é candidato desde 1978. Antônio Farias, ex-prefeito, gostaria de voltar. O deputado federal José Jorge constrói a reputação do melhor administrador público do Estado. Obter o consenso do PDS é o primeiro desafio. O segundo será administrar umacidade oposicionista. OPMDB controla 22 das 33 cadeiras da Câmara dos Vereadores. As principais lideranças e associações civis oposicionistas estão no Recife. O prefeito terá que ser um paciente e democrático negocio. Voltado para atender as necessidades de uma população urbana das mais pobres do Pals.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 26/12/1982_